Título
Uma perspectiva relacional para a gestão de resíduos em escolas: reflexões desde as experiências do projeto escola lixo zero
Os avanços técnicos, legais e na difusão de informações sobre a problemática dos resíduos sólidos parecem ainda não se refletir na transformação de hábitos necessária para uma efetiva Gestão dos Resíduos Sólidos (GRS) na realidade brasileira. Diante disso, a promoção da consciência da população e da participação comunitária na GRS são recomendadas pela literatura, devendo ser acompanhadas da superação do pensamento tecnicista, rumo a um pensamento complexo. Nesse sentido vem atuando o projeto de extensão Escola Lixo Zero, do Núcleo de Educação Ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina (NEAmb-UFSC), inspirado pelo potencial de as escolas serem incubadoras de transformações culturais necessárias à sociedade. Surgido em 2014 com o objetivo de implementar a GRS no Colégio de Aplicação da UFSC (CA), o projeto deu origem à pesquisa que resultou no desenvolvimento da metodologia do Desafio Lixo Zero em 2015. O sucesso no CA motivou a realização do Desafio em duas escolas municipais de Florianópolis em 2016, momento em que se situou a presente pesquisa de Mestrado, que explora os aspectos da abordagem que contribuem para o envolvimento da comunidade escolar e a transformação de hábitos. Isso é feito através de uma metodologia do tipo pesquisa-ação, assemelhando-se a um estudo comparativo de casos ao avaliar a experiência em diferentes escolas. A orientação epistemológica alinhada a um paradigma relacional, que inclui a perspectiva dos Processos Responsivos Complexos, busca manter-se próxima à experiência de estar em relação com as pessoas no decorrer do projeto, utilizando-se de técnicas como a observação-participante, narrativas reflexivas, e entrevistas qualitativas a outros envolvidos. Como resultado, a prática do projeto passa a ser compreendida para além da aplicação de ferramentas de educação ambiental e governança previstas na metodologia do Desafio, destacando-se a necessidade de improvisação e adaptação das propostas em diálogo com a realidade da escola. Diante da compreensão das dinâmicas relacionais que sustentam a problemática dos resíduos na escola, a abordagem do projeto passa a centrar-se na atenção às relações pessoais tecidas ao passar a habitar o território existencial da escola durante o projeto. É da qualidade dessa participação que torna-se possível cultivar outras formas de relação que produzam o envolvimento e a transformação de hábitos necessários a uma efetiva GRS na escola.