Título

"Aprendizagem e espiritualidade em ecovilas: quando "o universo todo ensina"

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Luciele Nardi Comunello
Nome do(a) orientador(a)
Isabel Cristina de Moura Carvalho
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2017
Dependência Administrativa
Privada
Resumo

Esta pesquisa tem como tema a aprendizagem em ecovilas. Ecovilas são definidas como comunidades intencionais que buscam um estilo de vida sustentável, sendo espaços onde, frequentemente, o fenômeno ambiental e o movimento New Age - ecologia e espiritualidade - se encontram. Considerando o cenário contemporâneo - caracterizado por: uma cisão entre o sagrado e o profano decorrente dos processos de secularização; uma crise ambiental que enuncia os limites do consumismo, do desenvolvimento a qualquer custo e da razão instrumental; e uma necessidade de uma nova ética (ou novos fundamentos éticos) - é que contextos como as ecovilas tornam-se relevantes por oferecerem, potencialmente, elementos para repensar a relação humano-mundo, a ética e para incitar outras sensibilidades. Ao valorizarem a aprendizagem como imersão na vida cotidiana, na convivência, essasexperiências se apresentam como campo fértil para refletirmos acerca de práticas educacionais embasadas na tradição moderna, que reafirmam osdualismosmente-corpo,cultura-natureza,mantendo as bases onto-epistemológicas que sustentam a própria crise (espiritual, ambiental e ética). Trata-se de uma pesquisa etnográfica de caráter multi-situado, em que seguimos o fenômeno das ecovilas em dois contextos distintos: uma ecovila o sul do Brasil (Arca Verde) e uma ecovila no norte da Escócia (Findhorn). A ecovila Arca Verde foi escolhida pelo ser reconhecida na região sul do Brasil como um instituto/comunidade referência com relação às questões ambientais, através da Permacultura. Findhorn foi escolhida pelo seu tempo de existência, que inclui as passagens geracionais, e por ser referência como centro de educação ambiental e para a sustentabilidade, junto à Rede Global de Ecovilas (GEN), à ONU e outras iniciativas em nível global. Ao olhar para suas abissais diferenças: a idade, o tamanho, o público, o contexto cultural etc., também encontramos similaridades em suas práticas, narrativas. Ambas identificam-se com a noção de "Ecovilas", compartilhando de uma "mesma definição". O trabalho de campo foi realizado, respectivamente, nos períodos de setembro de 2013 a setembro de 2014 e maio de 2015 a março de 2016. Em consonância com a perspectiva das Epistemologias Ecológicas e dos Novos Materialismos,tomando as perspectivas da aprendizagem situada e comunidades de prática, bem como da educação da atenção, compreendemos a aprendizagem como dimensão de toda a prática social, que acontece no engajamento da pessoa como um todo em processos de coparticipação em empreendimentos comuns. A aprendizagem é compreendida, aqui, como o processo a partir do qual nos tornamos o que somos e que prescinde de situações de ensino. Não se reduz a uma atividade individual, mas se dá no engajamento e coparticipação em atividades a partir das quais sujeitos e mundo coemergem em um processo constante e recursivo de correspondência. Os resultados apontam para modos mais que racionais de aprender em um mundo mais que humano, que envolvem: a interação com a dimensão do sagrado na natureza (seja em sua manifestação humana ou não humana), revelando uma busca de transcendência na imanência, a prática de rituais, com os quais se pode aprender a "sintonizar", consigo e com o outro, e a educação dos sentidos e emoções.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
31/05/2021