Título

Pesquisa-ação e desenvolvimento local: Usos do pequi (Caryocar brasiliense) como alternativa de trabalho na comunidade quilombola de Pontinha Minas Gerais

Programa Pós-graduação
Ecologia (Conservação e Manejo da Vida Silvestre)
Nome do(a) autor(a)
Lorena Cristina Lana Pinto
Nome do(a) orientador(a)
Maria Auxiliadora Drumond
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2017
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

A pesquisa aqui apresentada foi conduzida com a comunidade quilombola de Pontinha, que é formada por cerca de 2.000 pessoas e está localizada no município de Paraopeba, região central do estado de Minas Gerais, Brasil. Seus residentes têm como principal fonte de trabalho e renda a extração de uma espécie de minhoca gigante, o minhocuçu (Rhinodrilus alatus), muito utilizado como isca para a pesca amadora no Brasil. A extração e comercialização dessa espécie constituem atividades tradicionais praticadas por pelo menos 80 anos na região havendo conflitos sociais, ambientais e institucionais relacionados a essa atividade. No intuito de minimizar tais conflitos, desde o ano de 2004 vem sendo desenvolvido um Plano de Conservação e Manejo para o minhocuçu, que compreende pesquisas socioecológicas voltadas ao uso sustentável dessa espécie, envolvendo diferentes atores sociais diretamente interessados e afetados pela atividade extrativista, como a Universidade Federal de Minas Gerais, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o Ministério Público do Estado de Minas Gerais, o Instituto Estadual de Florestas, empresas reflorestadoras, comunidades extrativistas e fazendeiros. Dentre os acordos firmados coletivamente para o manejo dessa espécie está a suspensão de captura de minhocuçus durante seu período reprodutivo, que ocorre na estação chuvosa, e a busca de alternativas de trabalho e renda para os extrativistas. Residentes da comunidade de Pontinha vislumbraram a possibilidade de utilizar frutos de cerrado como alternativa econômica para o minhocuçu com destaque para o pequi (Caryocar brasiliense), por ser abundante no território quilombola, ter alta produtividade e frutificar na mesma época de reprodução do minhocuçu. Iniciamos em 2012 o Projeto Pequi para analisar a viabilidade do uso deste fruto como alternativa de renda pela comunidade, que incluiu análise da produtividade de frutos no território quilombola, análise de mercado para absorção da produção de produtos do pequi, os usos atuais do pequi pela comunidade, dentre outros aspectos. Confirmada a viabilidade do uso do pequi pela sua abundância e produtividade no território quilombola e pela possibilidade de escoamento da produção iniciamos outra fase de pesquisa que incluiu a preparação dos comunitários e a implantação de uma unidade produtiva. Os moradores de Pontinha envolvidos no projeto participaram de oficinas de trabalho, cursos de capacitação, intercâmbios e de uma produção piloto. Em 2014 foi realizada a primeira oficina na comunidade sobre a produção artesanal do óleo de pequi. A fim de ampliar a capacitação para outros comunitários, uma vez que os eventos não atingiam todos os participantes, foi elaborada e distribuída uma cartilha sobre a produção do óleo artesanal do pequi. Em dezembro de 2015, foi feito um intercâmbio de 16 comunitários a quatro empreendimentos na região Norte de Minas Gerais que comercializam produtos feitos de pequi. Em 2016 aconteceram seis eventos de capacitação para os comuntários com os seguintes temas: Boas práticas de fabricação e manipulação de alimentos; Produção de conserva da polpa de pequi e pequi congelado; Produção de castanha de pequi cristalizada; Rotulagem e promoção comercial; Empreendimentos econômicos solidários; Produção de farofa de pequi. Os cinco primeiros eventos ocorreram na comunidade de Pontinha e a oficina de produção de farofa de pequi ocorreu durante um intercâmbio na Associação AMANU: Ecologia, Educação e Solidariedade, situada em Jaboticatubas, Minas Gerais. No intuito de difundir o aprendizado proporcionado por esses eventos para os participantes do projeto e para outros comunitários foi elaborada a cartilha "Pequi, o ouro do Cerrado" contendo informações detalhadas sobre os processos envolvidos no beneficiamento do pequi. Em fevereiro de 2016 os comunitários iniciaram uma produção piloto de produtos feitos com pequi em um espaço adaptado na comunidade, onde prepararam: conserva da polpa, óleo da polpa, castanha cristalizada e conserva mista de pequi com broto de bambu. Em 2017 o número de pessoas interessadas no projeto e envolvidas na produção aumentou e a tendência é aumentar ainda mais, com o passar do tempo e com o êxito da iniciativa. Novamente, para ampliação do número de envolvidos e divulgação das formas de se trabalhar na fabricação dos diferentes produtos, fizemos dois vídeos documentários com verba conseguida pela parceira Universidade Federal de Minas Gerais via Programa de Extensão Universitária (Proext-Mec). Compartilhamos as informações levantadas e os avanços do projeto para a comunidade de Pontinha e demais setores da sociedade por meio de rede social, reportagem em jornais, publicações científicas (papers e anais de congressos), cartilhas, vídeos-documentários, programas em emissora de televisão dos municípios de Paraopeba e Caetanópolis, exposição em feiras agropecuárias e de produtos artesanais, palestras em universidades e atividades de Educação Ambiental realizadas com estudantes e professores de escolas públicas de Paraopeba e Caetanópolis. Essa pesquisa contou com a participação de diversos atores sociais que estiveram envolvidos em cada passo de diferentes formas, níveis e intensidade. As informações resultantes apontam que a participação comunitária, aliada a tomada de decisão coletiva, são caminhos viáveis na resolução de questões socioambientais.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
31/05/2021