Título
Educação ambiental crítica: círculos de cultura na formação continuada docente
A educação ambiental crítica na formação continuada de professores, atrelada à concepção dos círculos de cultura de Freire em, são importantes para promoção de locais de diálogo (reflexão) e ação (prática), para que estas ideias possam ser disseminadas para além dos muros destas instituições, contribuindo assim para uma escola sustentável. O objetivo principal da tese foi desenvolver, em uma escola pública, uma proposta de educação ambiental crítica, a partir da metodologia dos círculos de cultura de Freire, constituindo espaços de formação continuada docente que possibilitem engajamento e integração em toda comunidade escolar. O estudo foi desenvolvido na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio João Roberto Borges de Souza, com o corpo docente e os representantes da escola e da comunidade. O estudo procurou abranger todos os docentes da escola, sendo desenvolvido nos três turnos (manhã, tarde e noite), iniciou-se em fevereiro de 2015 e se estendeu até julho de 2017. A abordagem da pesquisa é qualitativa; o método escolhido foi o etnográfico que possibilitou o entendimento dos fatos, permitindo documentar o não documentado e, para a análise dos dados, utilizou-se a teoria fundamentada com a análise de conteúdo de Bardin. A pesquisa contou com quatro etapas principais: 1° Levantamento das condições estruturais da escola, identificação do perfil dos professores e enumeração das dificuldades e potencialidades da escola para o andamento do projeto (Questionário); 2° Delimitação e desenvolvimento dos temas a serem trabalhados na formação continuada de docentes (Círculos de aprendizagem e cultura de Freire); 3° Formação da Com-Vida na escola (Grupo focal - Representantes dos atores da escola e da comunidade) e 4° Análise comparativa dos projetos dos docentes (desenvolvidos antes e durante o desenvolvimento da tese). Diante dos resultados obtidos, pode-se concluir que o Projeto Escolas Sustentáveis, no decorrer do ano de 2015, 2016 e 2017, proporcionou melhoria contínua da qualidade do ensino na escola alvo do projeto, contribuindo para a implantação de uma modalidade de aprendizagem crítica e transformadora, no entanto, muitos foram os percalços que impediram uma vivência contínua em EA, comprometendo o esperado andamento da pesquisa. Percebeu-se que alguns docentes já buscavam trabalhar a EA na escola, mas a faziam de forma isolada, disciplinar, entretanto, com a vivência das formações baseadas nos círculos de cultura e com a proposta das escolas sustentáveis, foi possível uma construção e vivência de projetos interdisciplinares, proporcionando uma experiência nova, pautada no que recomenda o tema. Acerca dos projetos desenvolvidos pelos docentes, observou-se que estes o realizaram sob diversos aspectos, principalmente depois das formações - ambientais, sociais, econômicos, culturais; abrindo assim espaço para a construção de um currículo que educa, que percebe seu meio e o aproxima da escola. Para o fortalecimento de uma educação ambiental crítica, pautada nas escolas sustentáveis e na cidade educadora, é necessário não apenas compreender os limites e as potencialidades da escola, mas construir pontes que levem ao fortalecimento das vertentes do currículo, gestão e edificações. Peregrina-se, assim, para a necessidade de repensar e traçar estratégias que permitam aos docentes repensarem suas práticas educativas e percebam a importância de se trabalhar uma educação crítica, contextualizada capaz de formar cidadãos corresponsáveis pelo que acontece com eles e com o mundo.