Título
O ensino de geografia e a condição docente: subsídios à educação ambiental
Cresce, nas últimas décadas, a preocupação da sociedade quanto às questões ambientais. Essas preocupações, no entanto geram conflitos de interesse aos diferentes grupos humanos. Na educação, esse fato se concretiza em propostas de educação adjetivadas de ambiental, devendo estar presente em todos os níveis de ensino. Ela também será conflitiva. Cada proposta de Educação Ambiental (EA) é um reflexo da visão de mundo dos grupos humanos conflitantes. Surgem, assim, na educação ambiental, várias tendências pedagógicas. Especialistas apontam três macrotendências pedagógicas principais: uma classificada como conservacionista por se pautar na conservação e convivência com a natureza, outra pragmática baseada na busca de soluções ambientais pelo mercado e uma crítica que busca a transformação dos paradigmas da sociedade. A Educação Ambiental, para se efetivar na educação básica, necessita da contribuição das diferentes áreas do conhecimento, entre elas a Geografia, uma das ciências que historicamente se ocupa do que hoje se chama de meio ambiente. Dessa forma, busca-se conhecer mais sobre a seguinte indagação: quais obstáculos e possibilidades existem numa tentativa de construir uma educação ambiental, crítica, a partir do ensino de Geografia, numa escola do sistema público de educação básica de Minas Gerais? O objetivo principal foi realizar uma experiência de educação ambiental, crítica, a partir do ensino de Geografia, em uma escola do sistema público de educação básica de Minas Gerais. A partir daí, conhecer os obstáculos e possibilidades dessa experiência, inclusive, visando às possibilidades de se realizar futuramente uma experiência, em bases semelhantes, que seja interdisciplinar. Para alcançar esses objetivos, realizou-se um estudo de caso sobre a prática de ensino pelo autor desta pesquisa, cuja temática foi relacionada ao conteúdo definido no planejamento de aula e definida com os(as) alunos(as). Ao final da pesquisa, percebeu-se que a cultura do autoritarismo influi negativamente na condição de trabalho docente. Observou-se que, havendo maior liberdade e autonomia, estudantes vistos como problemáticos passam a ter melhores resultados. Percebeu-se, também, que é importante cultivar o hábito de ter registros sobre a prática de aula. Eles serviram como base para a troca de estratégias e impressões entre os docentes. Além disso, a falta de permeabilidade da Educação Ambiental de macrotendência crítica na educação básica dificulta a construção de práticas interdisciplinares, em especial, aquelas ligadas à questão ambiental.