Título
Abra sua cabeça para os animais proposta de um projeto de educação ambiental no centro de triagem de animais silvestres
O tráfico e a posse ilegal de animais silvestres são práticas extremamente prejudiciais à biodiversidade em todo o mundo. Apesar de grandes e imprescindíveis, os esforços dos órgãos públicos na fiscalização, no combate e na penalização dessas atividades ainda é insuficiente. Torna-se necessário atacar a causa: o hábito cultural de retirar do habitat, comprar e principalmente manter esses animais como de estimação em casa. A educação ambiental (EA) figura então como importante instrumento de conservação da fauna silvestre, ao possibilitar transformações de posturas e hábitos das pessoas. O presente trabalho propôs um projeto de atendimento educativo estruturado ao público que busca o Centro de Triagem de Animais Silvestres de Belo Horizonte (Cetas BH) para entregar voluntariamente um animal. Para elaborar o projeto "Abra sua Cabeça para os Animais", recorreu-se a: a) conhecimento de profissionais dos Cetas do Brasil sobre a realidade de seus centros e suas abordagens educativas; b) pesquisa bibliográfica sobre medidas e projetos educativos referentes ao tema; c) diagnóstico dos atendimentos antes do projeto e do que os funcionários do Cetas BH consideravam necessário abordar com o público; e d) levantamento de perfil e percepção do público atendido pelo Cetas BH sobre a posse de animais silvestres. Em linhas gerais, a maioria dos Cetas respondentes do questionário, assim como o de BH, têm deficiências na estrutura física, pouca capacitação dos funcionários e ausência de monitoramento regular das solturas dos animais. Nenhum Cetas possuía um projeto de EA estruturado para atender seu público, mas todos sugeriram materiais e estratégias. Os diagnósticos de perfil e percepção da população levantados na bibliografia não tratam do mesmo público-alvo que este, mas ainda assim tiveram valor comparativo. O levantamento do presente estudo foi feito com 74 pessoas em 60 situações de entrega de animais, sendo a maioria mulheres, jovens e maduras, com curso superior, fora da área ambiental, bem como suas ocupações. A maioria morava em BH, alegou resgatar animal de situação de vulnerabilidade e ficar menos de um mês com ele. A maior parte já teve contato com animais silvestres em ambiente doméstico antes; não conhecia hábitos naturais da espécie que levou; não sabia aonde levar o animal, buscando informação na internet; e nem conhecia o trabalho do Cetas. Majoritariamente tinham noção dos prejuízos da posse ilegal para a natureza e para o animal; estavam cientes da ilegalidade do ato, mas desconheciam procedimentos de aquisição legalizada; achavam que presentear, ganhar, vender e comprar animal silvestre de vida livre alimentava o tráfico; mas não conseguiam diferenciar o animal doméstico do silvestre adequadamente. Esses dados direcionaram a forma que a abordagem educativa tomaria, e as recomendações dos funcionários do Cetas BH auxiliaram no conteúdo. Sobre os projetos educativos na área, quase todas as publicações eram com público escolar, havendo três exceções que trouxeram ideias e direcionamentos válidos para este projeto. Como condutor da abordagem, um Guia de Orientação de Atendimento Educativo do Cetas BH foi criado. Materiais e estratégias educativas foram elaborados para encorpar e aprimorar o projeto: banner "O que acontece com os animais que chegam ao Cetas"; vídeo e jogo educativos Domésticos x silvestres: cada macaco no seu galho; fôlder educativo; brindes com o slogan da causa; e cadastro para participação do sorteio de duas vagas em soltura assistida semestral. O projeto está em execução e tem demonstrado bons resultados.