Título
Antropofagia e Educação Ambiental em seus sentidos Estéticos e Políticos
Esta pesquisa qualitativa no nível de doutorado em Educação considera a Antropofagia como eixo investigativo. A Antropofagia proposta por Oswald de Andrade foi parte de um movimento contracultural modernista que considerou a produção estética e política em sua autenticidade e sua vitalidade. Por outro lado, interfaces e posicionamentos políticos e ético-estéticos, de certas vias da Educação Ambiental no Brasil, têm proximidades conceituais e ideológicas com este movimento. Assim, esta pesquisa buscou entender o quanto, como e por quais trajetórias estas interfaces de educação ambiental se constituíram ideológica e historicamente nos campos ambiental e jurídico. A fim de alcançar esta compreensão, educadores ambientais das redes de educação ambiental brasileira foram entrevistados objetivando conhecer como fenomenologicamente este processo devorativo aconteceria no vivido, no mundo e na relação com o outro. Estas entrevistas aconteceram presencial e virtualmente em diálogos semiestruturados sobre os eixos constituintes da educação ambiental nos marcos normativos e subjetivos. Trata-se aqui de observar diversas e diferentes vias de subjetivação que foram apontando como linhas de fuga de territórios monolíticos perfazem fazeres, saberes e sentidos ambientais. Neste trajeto a Antropofagia Oswaldiana adquiriu um sentido extraordinário na perspectiva da singularidade e ordinário no tocante a uma parte significativa da cotidianidade dos sujeitos pesquisados. Esta linha circular e espiralada, em tese, responderia por processos de percepção e construção de subjetividades e subjetivações em territórios reais de existência. Finalmente, mas não definitivamente observamos que o caráter fenomenológico e antropofágico se revelou em mergulhos dialéticos do vivido, mas também dialógicos em seu caráter educativo. Esta dinâmica proporcionou a visada de uma proposta metodológica ao mesmo tempo em que revelou sutilezas de vivências de educadores ambientais em seus compromissos ético-estéticos e políticos cuja via refere a todo instante territórios reais de existência de sentido guattariano.