Título
A história ambiental e a produção de territorialidades
Esta tese analisa a proposta de inserção da História Ambiental no Ensino Fundamental II, dado o seu caráter interdisciplinar capaz de favorecer o diálogo da História com as demais ciências, em especial com a Geografia, e de dar voz e reconhecimento histórico às comunidades locais deslocando as análises da escola reprodutivista para as análises críticas que apontam processos de invisibilização, os quais são submetidos segmentos vulneráveis da sociedade brasileira, dentre eles, as comunidades indígenas. O entendimento da escola como arena permeada por negociações e conflitos caracteriza-a como espaço de diálogo e de formação de protagonistas sociais, que podem ser responsáveis pela consolidação de mecanismos de justiça social e de conservação ambiental, ou pela reprodução sociometabólica do capital. Nessa perspectiva, analisamos a formação territorial brasileira em suas relações com as comunidades indígenas na região do Acre e identificamos como elas são apresentadas e discutidas nos livros didáticos de Ensino Fundamental II. Para tanto, escolhemos a Coleção História, Sociedade e Cidadania de Alfredo Boulos Júnior, adotada pelo MEC para oferecimento nas unidades escolares brasileiras e a analisamos à luz das categorias identidade, território e conflitos socioambientais, com base no referencial teórico da Ecologia Política. A investigação dos discursos presentes nos livros didáticos, apoiada na Análise do Discurso, possibilitou inferir que populações indígenas e outras comunidades acreanas são invisibilizadas nos livros didáticos estudados no sistema educacional brasileiro. Na tentativa de entender de que maneira as categorias território, identidade e conflitos socioambientais incorporadas à História Ambiental nos livros didáticos podem estimular um sentimento de pertencimento nos educandos e fortalecer suas comunidades e identidades locais, estruturamos a tese em cinco capítulos. No primeiro, identificamos e analisamos as correntes historiográficas utilizadas no ensino brasileiro de História enquanto campo de aproximação da Geografia, vislumbrando a História Ambiental como eixo integrador. No segundo, tomamos como base as categorias de análise: território, identidade e conflitos socioambientais, definindo-as e utilizando-as para análise do material didático. No terceiro capítulo, apontamos a importância do livro didático para as comunidades escolares e referenciamos as políticas públicas que norteiam as escolhas dos livros didáticos para divulgação e utilização dos professores em salas de aula. No quarto capítulo, estudamos as relações históricas estabelecidas entre índios e territórios na região do Acre e analisamos de que forma os livros didáticos tratam a questão, dando visibilidade ou invisibilizando os atores sociais locais e as consequências daí advindas. E, por fim, no quinto capítulo, apresentamos a proposta de inclusão da História Ambiental no Ensino Fundamental II, com vistas a trabalhar o meio ambiente como elo das Ciências Sociais e Naturais, em uma perspectiva interdisciplinar que estimule o desenvolvimento local, a partir da valorização das relações sociais e da identidade sociocultural das comunidades brasileiras.