Título
Percepção de professores de biologia sobre a transversalidade do tema meio ambiente no Ensino Médio
Uma polêmica persiste sobre forma de inserção do tema meio ambiente na escola básica brasileira: criar uma disciplina ou transversalizar o tema? Persistem, também, as diferentes concepções dos docentes sobre os conceitos de meio ambiente e do campo de atuação da Educação Ambiental. Diante disso, neste estudo procurou-se investigar as percepções de um grupo de professores de Biologia da rede de ensino do estado do Espírito Santo sobre: (1) os conceitos de meio, (2) o campo de atuação da Educação Ambiental e (3) as formas como a mesma é enfocada no currículo. Utilizando-se de uma abordagem mista de pesquisa os dados foram produzidos por meio da aplicação de um questionário semiestruturado com 28 professores de 23 escolas localizadas em 14 municípios. Os resultados obtidos evidenciam que 42% dos participantes já tiveram algum acesso a cursos, projetos ou eventos específicos de Educação Ambiental. Sobre o conceito de meio ambiente e o campo de atuação da educação ambiental, foram obtidos os seguintes resultados: ao indicar temáticas que devem ser abordadas nas atividades de Educação Ambiental os professores indicaram economia, política partidária, preconceito, pobreza, desigualdade social e mortalidade infantil com frequência abaixo de 70%; enquanto que desenvolvimento sustentável, poluição, conservação de ecossistemas, extinção de espécies e aquecimento global tiveram frequências que variaram entre 90% e 100%. Portanto, pode-se inferir que, na percepção dos professores, estão presentes diferentes macrotendências, mas com prevalência do conceito naturalista de meio ambiente e que a educação ambiental atua no campo da ecologia desconectada dos aspectos sociais, culturais e econômicos. Na percepção sobre as questões ambientais mais urgentes de serem abordadas no ensino médio, em função das escalas geográficas (comunidade, município e estado), registrou-se um total de 91 evocações divididas em 24 temáticas que foram agrupadas conforme as orientações de Santos (2007) para as quais foram obtidas as seguintes frequências: (1) Pedagogia da natureza não-humana: 17,58%; (2) "Pedagogia da natureza humana: 48,35% e (3) Pedagogia integradora: 34,06%. Em relação às formas como a mesma é abordada no currículo, um total de 46,42% dos professores defenderam a criação de uma disciplina de Educação Ambiental, cujas justificativas foram: a baixa carga horária de suas disciplinas, a relevância do tema que é pouco abordado em outras disciplinas, a7 complexidade do tema e o despreparo docente. No entanto, 59,25% dos professores afirmam que todas as disciplinas são adequadas para se abordar o tema meio ambiente, embora afirmem também que a Biologia e a Geografia sejam mais adequadas que as outras. O traço naturalista, na percepção, foi corroborado quando 39.28% afirmaram que a Biologia é importante para a Educação Ambiental porque favorece a conscientização e proteção da biodiversidade. Apenas 10,71% declararam sua importância em função de seu potencial para a formação crítica. Entre as dificuldades para abordar a educação ambiental destacaram-se: a necessidade de reunir conhecimentos em diversas áreas, os aspectos legais que envolvem a temática e falta de infraestrutura das escolas. Em relação às estratégias didáticas para oferta da Educação Ambiental na disciplina de Biologia prevaleceram as aulas expositivas indicadas por 36,36%; seguidas de leitura e interpretação de textos com 22,72%. A partir dos resultados discutem-se as limitações e possibilidades para a efetivação da transversalidade do tema meio ambiente na disciplina Biologia. Além disso, os resultados serviram de subsídios para a elaboração de um caderno com sugestões de sequências didáticas que possa contribuir com o professor para identificar, nos conteúdos de Biologia, as oportunidades para abordar temáticas socioambientais, cumprindo, assim, a tarefa da transversalidade do tema.