Título

A formação de professores de biologia atuantes no ensino básico e a construção de uma perspectiva interdisciplinar na educação ambiental (EA)

Programa Pós-graduação
Biodiversidade e Conservação da Natureza
Nome do(a) autor(a)
Elizabeth Bozoti Pasin
Nome do(a) orientador(a)
Reinaldo Luiz Bozelli
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2017
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

A formação de professores para a Educação Ambiental (EA) é um elemento chave para promover a restauração de ecossistemas e garantir um desenvolvimento humano inclusivo e igualitário. Os professores de Ciências e Biologia desempenham papel significativo na promoção da EA nas escolas brasileiras. Nossa pergunta de pesquisa se voltou para uma compreensão sobre como os discursos legislativos, a configuração da matriz curricular e os discursos de professores de escolas e da universidade sobre a EA influenciam os discursos elaborados por licenciandos de Ciências Biológicas. Investigamos a presença da EA na legislação educacional e na matriz curricular da Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Tivemos como objetivo interpretar os sentidos sobre EA expressos nos discursos legislativos e curriculares, bem como os sentidos sobre EA mobilizados por professores e estudantes inseridos no curso. Outro objetivo foi investigar se os licenciandos tinham contato com práticas e experiências interdisciplinares na formação inicial, uma vez que a interdisciplinaridade é defendida pelos documentos legislativos e por muitos pesquisadores como sendo a forma ideal de se abordar a temática. O referencial teórico-metodológico da Análise de Discurso de linha francesa foi adotado por entendermos que há influências sociais, políticas e culturais sobre os discursos. Os dados compreenderam a análise de documentos escritos e as respostas de licenciandos e professores de escolas a um questionário semiestruturado. Adicionalmente, os professores universitários apontados pelos licenciandos como trabalhando conceitos ou realizando práticas em EA nas aulas foram entrevistados. Os resultados indicaram uma supremacia de discursos nos quais os sentidos de EA se restringem à conservação ou à preservação, incluindo discursos que revelaram uma confusão entre os objetivos da EA e do ensino de ecologia. Nos três grupos de participantes, poucos associaram a EA a questões socioeconômicas. A matriz curricular apresentou predominância de horas voltadas para discutir questões ambientais do ponto de vista biológico, em contraste com poucas disciplinas que abordam outras perspectivas. Os licenciandos indicaram pouco contato com a legislação relacionada à EA e com experiências interdisciplinares. Detectamos ainda baixa colaboração entre os principais espaços formativos (escolas, Instituto de Ciências Biológicas e Faculdade de Educação). Inferimos que esse cenário, reforçado pelo caráter naturalista do Discurso Fundador da EA no Brasil, vem afetando a constituição das memórias discursivas dos estudantes, seus discursos e sua futura prática docente, tornando difícil fomentar abordagens de EA mais amplas e interdisciplinares nas escolas tal como recomenda a legislação. Há indícios de que um pequeno grupo de professores universitários vem promovendo deslocamentos, hibridismos e polissemias dentre os discursos dos licenciandos, incluindo sentidos que abrangem perspectivas sociais. Mudanças discursivas podem ser promovidas para fomentar concepções mais amplas de EA, nas quais se inclua não apenas os aspectos da conservação da natureza, mas também questões culturais e socioeconômicas. Recomendações para favorecer o desenvolvimento de cidadania nas escolas e prevenir o silenciamento de questões como conflitos e riscos associados aos problemas ambientais foram feitas nas conclusões.


Classificações

Contexto Educacional
Modalidades
Data de Classificação:
31/05/2021