Título
Análise da percepção socioambiental em áreas de nascentes do rio Piauí, no município de Arapiraca/Alagoas
Considerada imprescindível à vida, a água consiste em um recurso natural limitado. Atualmente, a sua presença na natureza tem sido marcada por um cenário de degradação e escassez cada vez mais frequente em decorrência, principalmente, das ações antrópicas. Nesta pesquisa, objetivou-se fazer uma análise das condições socioambientais nas áreas de nascentes da porção superior da bacia hidrográfica do rio Piauí, na cidade de Arapiraca/AL, avaliando as ações implementadas pelo Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas - IMA, órgão responsável pelo gerenciamento ambiental das áreas de nascentes enquanto Áreas de Proteção Permanente (APP) protegidas por lei, como também as ações previstas no projeto de Recuperação Hidroambiental da Bacia do rio Piauí elaborado pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do rio São Francisco - CBHSF. Nesta pesquisa foi adotado o método hipotético dedutivo envolvendo uma investigação qualitativa e quantitativa, compreendendo três etapas: fase exploratória; trabalho de campo; e análise e tratamento do material coletado a respeito do tema em questão. A percepção socioambiental da população em relação às ações de recuperação hidroambiental propostas e realizadas pelo CBHSF foi avaliada a partir da aplicação de um questionário em uma amostra composta por 105 chefes de família residentes em três comunidades rurais localizadas no entorno das nascentes estudadas. A pesquisa permitiu concluir que o desenvolvimento urbano ocorrido em Arapiraca nos últimos anos alterou a fisiografia da porção superior da bacia hidrográfica do rio Piauí, onde é crescente a degradação desses ambientes, ocorrendo sem a percepção dos moradores da necessidade de preservar e proteger as áreas das nascentes ali existentes. Os entrevistados, em sua maioria, afirmaram desconhecer o que seja um comitê de bacia hidrográfica e suas atribuições, ignorando o próprio Comitê da Bacia Hidrográfica do rio São Francisco e as ações de revitalização realizadas nessas áreas do alto Piauí. As análises estatísticas realizadas nos dados disponíveis permitiram inferir que o rio Piauí não se enquadra, nessas áreas de nascentes, como classe 2, conforme estabelecido nas Resoluções do Conama n° 357/2005 e n° 430/2011. Por fim, o trabalho propõe a realização de ações voltadas para a educação ambiental nas comunidades e nas escolas como também ações de fiscalização e monitoramento das áreas de nascentes visando a conservação/manutenção das nascentes do rio Piauí.