Título
Etnobotânica e screening fitoquímico de Sideroxylon obstusifolium (Roem. & Shult.) T.D. Penn. (Quixabeira), Cabaceiras, semiárido da Paraíba
Conhecimentos tradicionais podem demonstrar tanto a história das comunidades como sua relação com os recursos locais. Além disso, fornecem informações que favorecem o manejo e a gestão das espécies, assim como indicam formas de uso e preparo que podem embasar o conhecimento fitoquímico. O presente estudo foi realizado na Comunidade Tapera localizada no município de Cabaceiras, Semiárido da Paraíba, com o objetivo de registrar e analisar os usos e os conhecimentos tradicionais de Sideroxylon obtusifolium (Roem. & Schult.) T.D. Penn. (quixabeira) e sua disponibilidade local, observando a pressão extrativista sobre a mesma. Além disso, considerando as principais formas (cachaça e água) e parte da planta (casca e folha) utilizadas no preparo pela comunidade, avaliou-se a presença de metabólitos secundários através de um screening fitoqúimico. A análise fitoquímica feita com a casca e com as folhas visava avaliar os compostos nas duas partes e propor a substituição do uso da casca pelo uso das folhas, favorecendo a conservação da espécie. Foram entrevistados 23 chefes de família (homens/mulheres), representando 15,33% da população e a disponibilidade local foi avaliada através de um caminhamento de 24 horas com auxilio de GPS. A pressão extrativista foi analisada através da medição das extrações nas cascas da planta. Para o screening fitoquímico foram coletadas folhas e cascas da espécie, para preparação de extratos a base de cachaça, água e álcool, que foram avaliados quanto aos metabólitos extraídos. A quixabeira é utilizada pela Tapera, principalmente como medicinal, onde a casca é a parte mais citada e o molho a forma de preparo mais comum. Foram registradas 88 árvores, dentre as quais 19 apresentavam marcas de extração, demonstrando que as atividades predatórias obtiveram uma redução bastante acentuada comparada a dados anteriores. O extrato de folhas e cascas, realizado com cachaça e água, obteviveram resultados semelhantes quanto a extração das classes de metabólitos secundários. Desta forma, podemos sugerir a realização de estudos quantitativos nas folhas da quixabeira, que possam demonstrar dentro das classes metabólitas encontradas, quais substâncias bioativas estão presentes, fornecendo a Comunidade, através da educação ambiental, outra possibilidade de utilização da quixabeira, para fins medicinais, a fim de tentar reduzir a pressão extrativista existente na espécie e contribuir com sua conservação no meio ambiente.