Título
Educação ambiental e Teoria Crítia: a dialética da emancipação na formação socioambiental de servidores de uma universidade pública do estado de São Paulo
Diante da emergência de um colapso ambiental potencializado pelo sistema de produção contemporâneo hegemônico no planeta, que ameaça a vida na Terra, a Educação Ambiental (EA) crítica e emancipatória tem uma relevante função social pública de provocar reflexões, apresentar questões, estimular e acompanhar processos de mudança, propor caminhos, participar de políticas estruturantes e colaborar na preparação das pessoas para uma participação política crítica e transformadora. Neste desafio, esta pesquisa tem como objeto a análise de um projeto de formação socioambiental junto a servidores públicos técnicos e administrativos de uma instituição de Educação Superior (IES) do estado de São Paulo, Brasil. Com base no referencial da Teoria Crítica, da Escola de Frankfurt e da Educação Ambiental Emancipatória, tal estudo objetiva investigar quais são os elementos potencialmente emancipatórios emergentes da tensão entre o vivido e o proposto nesse projeto, bem como discutir em que tais elementos contribuem para a revisitação da emancipação na EA. Para atingir esse objetivo, o método está estruturado em uma abordagem qualitativa, de pesquisa-participante, que inclui técnicas de grupo focal, observação participante e análise de documentos do grupo coordenador do projeto. Os resultados foram organizados em duas seções, sendo a primeira um relato autocrítico do projeto, seguindo a sequência temporal de desenvolvimento das ações. A segunda seção envolveu a analise de dados em duas categorias centrais, quais sejam: 1. "a dialética da emancipação no projeto de formação socioambiental de servidores públicos", com as subcategorias de EA emancipatória, autonomia e liberdade; e 2. "dialética da formação socioambiental dos servidores", com as subcategorias de pesquisa-ação-participante e capilaridade, que representam pontos nodais do projeto de formação socioambiental de servidores públicos, articulados ao tema central da emancipação. Uma nova categoria emergente foi a dos "não-docentes", como potencial reflexivo sobre a razão instrumental na educação superior. Os elementos potenciais emancipatórios, emergentes nesse projeto, que vêm colaborar com uma revisitação do complexo conceito de emancipação na EA, envolvem: a dialética da capilaridade no enraizamento da EA na instituição; as condições materiais, de infraestrutura, e as relações de trabalho na e fora da Educação Ambiental; a emergência do desenvolvimento de diagnósticos rigorosos na EA; a pressão pela evidência da comunicação do projeto; a perspectiva crítica e emancipatória de EA e seus instantes dialógicos. Os impactos do Projeto PAP na universidade estão vivos e em aberto. O mal-estar de uma emancipação não concretizada em sua plenitude gera uma inquietação positiva capaz de promover uma reflexão e ação críticas no interior dessa IES. Espera-se que esta pesquisa contribua com a discussão de processos de Educação Ambiental em Instituições de Educação Superior e que o conceito de emancipação possa ser revisitado e incrementado aos saberes da EA