Título

Educação ambiental dialógico-crítica e sua relação com a prática da agroecologia e da educação do campo no território do extremo sul da Bahia: entre o descompasso e o desafio de transformação

Programa Pós-graduação
Ciências Ambientais
Nome do(a) autor(a)
Caroline Lins Ribeiro Ferreira
Nome do(a) orientador(a)
Amadeu José Montagnini Logarezzi
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2018
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Esta tese destaca, de experiências relacionadas à educação do campo e à agroecologia, matrizes formativas e práticas que possam auxiliar na problematização de questões socioambientais tradicionalmente debatidas pela educação ambiental, adotando uma perspectiva dialógico-crítica, com vistas à formação de sociedades sustentáveis. A metodologia qualitativa, com aproximações do método materialista histórico dialético, possibilitou evidenciar contradições existentes no contexto agrário do extremo sul da Bahia e também identificar práticas camponesas, dinamizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que têm apontado articulações e possíveis caminhos, para a superação de contradições antagônicas, diante do degradante momento histórico vivido, marcado pela ausência de reforma agrária e de outros entraves na formação de sociedades sustentáveis. Realizamos observações, entrevistas individuais e coletivas com sujeitos deste território e sistematizamos as informações em diário de campo partindo das categorias de educação ambiental, educação do campo e agroecologia. Durante a pesquisa de campo e após análises do material sistematizado, sobressaíram as experiências da Escola Popular de Agroecologia e Agrofloresta Egídio Brunetto, suas articulações com escolas do campo, bem como as aulas com o método de alfabetização de pessoas adultas ?Sim, eu posso?. Nestas experiências há nítida intencionalidade do movimento de construir processos sistemáticos de educação agroecológica e do campo, com base na matriz produtiva agrobiodiversa e na matriz pedagógica do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, que associam organização coletiva, trabalho, cultura, luta social e história, em suas ações educativas na escola e fora dela. Como resultado, verificamos que essas experiências, com todas as contradições que as cercam, têm potencial para problematizar questões socioambientais tradicionalmente debatidas na área de educação ambiental, particularmente em uma perspectiva dialógico-crítica, que passa pela denúncia do modelo produtivo do agronegócio (com a sua pedagogia antiecológica e socialmente desigual) e pelo anúncio de uma práxis que tenta sintonizar os limites e as possibilidades ecossistêmicos com as necessidades produtivas e culturais das(os) camponesas(es), implicando uma nova cultura do trabalho e novas relações socioambientais na direção de formar sociedades sustentáveis. A pesquisa identifica princípios e práticas sociais do campo e discute como eles podem potencializar articuladamente uma abordagem dialógico-crítica de questões socioambientais, ao mesmo tempo em que indica a potencialidade desta abordagem de educação ambiental para o fortalecimento de práticas socioambientais relacionadas à educação do campo e à agroecologia.


Classificações

Contexto Educacional
Modalidades
Data de Classificação:
31/05/2021