Título
Representações sociais sobre a educação para a sustentabilidade entre profissionais de educação
O desenvolvimento da humanidade tem realizado formas de consumo para além dos limites renováveis do planeta, trazendo questionamentos sobre os caminhos para alcance de um equilíbrio entre o modo de vida das sociedades e as condições sociais e ambientais, que clamam por formas justas e harmônicas de convívio, e na concretização da sustentabilidade planetária. A educação, instrumento para a transformação de valores, consciência e atitudes, é apontada como um processo de desenvolvimento integral das potencialidades dos sujeitos, portanto uma valiosa ferramenta para a sustentabilidade. O envolvimento dos docentes e sua prática pedagógica se revela fundamental para a transmissão dos conhecimentos e competências necessários a estes fins. Fundamentando-se na Teoria das Representações Sociais, a pesquisa objetivou identificar as Representações Sociais sobre a Educação para a Sustentabilidade ou Educação Ambiental entre professores de Ensino Médio, e caracterizar como estes inserem a temática da Educação Ambiental nas suas ações pedagógicas. Acredita-se na importância de se conhecer as concepções dos docentes, e o desenvolvimento teórico e prático quanto à temática em tela, para a formação de sujeitos sociais conscientes, e para a mudança de paradigmas culturais. Partindo de um levantamento bibliográfico-documental sobre a Educação Ambiental e as Representações Sociais de Meio ambiente, Sustentabilidade ou Educação Ambiental, esta pesquisa voltou-se à identificação do núcleo central das representações sociais sobre a Educação Ambiental entre os profissionais em educação participantes. Utilizou-se do método de evocação livre para caracterizar sua estrutura central e periférica, e de entrevistas semiabertas, cujos achados permitiram uma articulação dos resultados, para a compreensão das representações sociais do público participante. Concluiu-se que as Representações Sociais para este público expressam uma perspectiva Naturalista-conservacionista, que relaciona a sustentabilidade com respeito, cuidado e preservação do meio ambiente, e em menor grau um viés Pragmático-antropocêntrico, que reconhece a relação homem natureza de modo utilitarista, mais presente entre os profissionais de menores faixas etárias, com baixa diferenciação entre os resultados apresentados por professores de escolas públicas e privadas. A falta de uma visão crítica, que questione os padrões de desenvolvimento socioeconômicos e as implicações político-culturais na relação homem-ambiente, contribui para um tratamento conservador da educação ambiental, com atitudes de esquiva, vivência superficial do tema e sentimento de insegurança, com atuações esporádicas e pontuais. Este cenário tem relação com as deficiências do sistema de ensino e da formação de professores, com pouca visualização prática de opções didáticas para integrar os temas transversais numa atuação interdisciplinar em seus planos de ensino. Não sendo despertada a percepção crítica do contexto socioambiental na formação docente, o professor acaba legando-lhe uma posição secundária, tratando-a conforme emerge nos livros didáticos, campanhas ou evento esporádico, evidenciando baixa contribuição para o desenvolvimento de uma consciência crítica e visão sistêmica das questões socioambientais entre os discentes.