Título
Unidade de Conservação na Serra do Itapeti: Representações sociais de comunidades da Zona Amortecimento
No mundo, uma das principais estratégias para promoção da conservação e da manutenção dos serviços ambientais, é a delimitação de áreas protegidas, que no Brasil ganharam o nome de Unidades de Conservação - UCs. As zonas de amortecimento não fazem parte das UCs, contudo, é claro o papel dessa área, na proteção e minimização dos impactos negativos que possam afetar as UCs. Boa parte das zonas de amortecimento são formadas por propriedades com moradores locais cujas atividades de manejo são passíveis de restrições. O presente estudo teve como objetivo investigar a zona de amortecimento do Parque Natural Municipal Francisco Affonso de Melo em Mogi das Cruzes - SP, na bacia do Alto Tietê, a partir do levantamento e análise das representações sociais dos moradores vizinhos que são também responsáveis pela conservação da área. A justificativa dessa pesquisa se sustenta pelo fato de haver pouco conteúdo presente no Plano de Manejo voltado para a zona de amortecimento dessa unidade de conservação. A metodologia se compôs de análises pimárias através da coleta de entrevistas em campo com os moradores locais, e dados secundários para a investigação documental levantando bases legais e também dados georeferenciais, além de uma análise crítica do Plano de Manejo da unidade, no que diz respeito à zona de amortecimento. A análise de conteúdo dessas entrevistas revelou as categorias de representação sócias de aspectos como: a identificação do perfil dos moradores, os tipos de atividades desenvolvidas, o conhecimento e as representações sociais sobre a UC, e as principais ameaças locais. Criou-se mapas temáticos que alocaram as atividades rurais desempenhadas nas propriedades desses moradores, assim como os vetores de pressão mais comuns sobre a percepção dos próprias moradores, indicando assim o cenário diversificado que prevalece na zona de amortecimento do entorno desta Unidade de Conservação Municipal. O levantamento das representações sociais revelou que a maior parte dos moradores vivem na localidade a menos de 5 anos, ou seja, que a rotatividade na área é bem alta, que há pouco conhecimento e meios de comunicação que possam esclarecer informações básicas sobre o que é a zona de amortecimento, o que pode e não pode ser desenvolvido nesta área, além de onde estão ocorrendo as principais ameaças impactantes a UC. A pesquisa contou também, como oficinas visando esclarecimentos sobre a zona de amortecimento e também para a divulgação de atividades benéficas e rentáveis mirando uma gestão participativa da área, contando com a participação de agentes públicos, instituições não governamentais pesquisadores da Universidade e também moradores. Contudo, mesmo com todas essas medidas encontrou-se como principal obstáculo, a baixa participação e interesse dos moradores. Por isso, este panorama se torna um desafio futuro para revelar sensibilizar os moradores residentes locais sobre a importância da participação dos mesmos na conservação da zona de amortecimento, assim como para as ações de educação ambiental e de políticas públicas necessárias para orientação, fiscalização e incentivos aos moradores que vivem no entorno desta unidade.