Título
As Amazônias da Cazumbá: A Fotografia como vivência de Antropologia Visual e Socioambiental para revelar uma Reserva Extrativista
Este estudo apresentou o percurso e os resultados da produção de imagens fotográficas realizadas na comunidade da Reserva Extrativista do Cazumbá-Iracema/AC, além de um trabalho autoral fotográfico. A pesquisa navegou no campo de antropologia visual que tem como estudo o homem por meio de imagens. O objetivo foi revelar peculiaridades da cultura extrativista e o seu modo de vida, utilizando como metodologia a fenomenologia como percepção de mundo e como estratégias a história oral e a leitura de imagens, a partir do âncora das fotografias produzidas pela pesquisadora e as das práticas fotográficas realizadas pelos extrativistas. Na pesquisa foi valorizado o poder da imagem como dado, potência de narrativa visual e poética, conhecimentos extrapolando a mera função de ilustração textual. O trabalho com fotografias desenvolvido ao longo de quase uma década, foi possível realizar uma escuta sensível dessas pessoas, resgatar memórias, valorizar a cultura extrativista e criar experiências estéticas juntos aos moradores dessa Reserva. As oficinas fotográficas foram conduzidas a partir de princípios de uma educação ambiental crítica e transformadora, onde foi possível criar e fortalecer encontros, descobrir espaços de criação, estreitar relações, despertar imaginações e co-imaginações. Com isso, pudemos ver o fortalecimento de sujeitos ecológicos, cidadão cientista e possíveis desdobramentos políticos e sociais na localidade, como o crescimento de um turismo de base comunitária e o crescimento de uma rede colaborativa entre moradores, pesquisadores e visitantes, a partir de uma forma peculiar de construção de vínculos. As imagens tiveram o papel de serem provocativas para despertarem pensamentos, questionamentos e mudanças, por meio de discussão e reflexão no campo de mediação pedagógica e nos processos educativos voltados a uma educação reflexiva, cultural, consciente e emancipadora. A cultura extrativista foi revelada a partir da visão transdisciplinar, que se apoiou na intervenção social e afetiva a partir do uso da linguagem fotográfica, que foi um processo de dinamização de consciência cultural, valores indenitários e comportamentos ambientais.