Título
Educação ambiental e áreas verdes urbanas: os vínculos e as relações afetivas em processos educativos em uma microbacia em urbanização
Buscando trabalhar de forma contextualizada uma educação ambiental crítica em área urbana, mergulhamos em um estudo sobre as relações estabelecidas por seres humanos com outros seres em espaços verdes. Acreditamos que esses espaços permitem, além da existência e do convívio dos seres humanos com os outros seres, o educar por meio da educação da atenção. Baseadas na fenomenologia, o objetivo do presente trabalho foi identificar as relações que pautam o olhar e o conviver, em espaços urbanos, de pessoas-outros seres (humanos ou não) buscando os sentimentos, sensações, emoções e motivações expressadas pelas pessoas, que as entrelaçam a lugares verdes urbanos. A cidade de São Carlos, no interior do estado de São Paulo, foi escolhida por apresentar um contexto de revisão do Plano Diretor do município e um histórico de mobilizações em prol de espaços verdes. Coletamos dados com dois grupos de pessoas distintas em dois processos diferentes. O primeiro grupo foi formado por 14 pessoas participantes de um projeto de extensão universitária. Utilizando a educação da atenção, a prática dialógica e visando a formação de valores um curso de extensão de educação ambiental e áreas verdes urbanas foi desenvolvido ao longo de oito meses. Materiais individuais e coletivos foram produzidos nesse processo e posteriormente analisados por nós. O segundo grupo participante da pesquisa foi formado por oito pessoas engajadas na manutenção de espaços verdes urbanos. Todas as pessoas participantes eram moradoras da mesma área onde havia sido realizado o curso de extensão do primeiro grupo. Selecionamos essa área por ser uma das regiões de discussão do Plano Diretor por ser prevista para o crescimento urbano. Realizamos entrevistas com a metodologia walking interview1 como uma forma de expandir a coleta de dados relacionada às relações dessas pessoas com os espaços verdes. Das falas e dos relatos gerados, selecionamos as partes que nos instigaram para análise e reflexão. Foram produzidos três artigos com os dados selecionados. O primeiro, com os dados do grupo de estudantes, nos deu elementos para entender como uma prática da educação da atenção pode priorizar o trabalho com valores e colocá-los como elemento fundante de nossas escolhas, ações e (re)escolhas. O segundo artigo, com os dados do grupo de moradoras/es nos permitiu mergulhar nas relações estabelecidas ao longo de uma educação contínua pelo fluxo da vida. E o terceiro artigo, englobando os dados dos dois grupos, nos possibilitou compreender a potência de trabalhar a educação ambiental em áreas verdes urbanas. Todas as pessoas participantes confluíram para reforçar a urgência de rever a construção de valores estabelecidos em nossa sociedade. Nos entender como coletivos, nos compreender ao conhecer o outro (humano ou não), respeitar as existências em suas diferenças, manter contínuas as práticas e as ações que permitem um reolhar para as relações foram pungentes nesse nosso processo reflexivo. Por fim, reforçamos aqui o papel de uma prática educativa crítica, dialógica e em busca de relações mais respeitosas dentro de um espaço urbano historicamente excludente.