Título
Mergulho recreativo na região metropolitana de Fortaleza (Nordeste do Brasil): subsídios para o desenvolvimento sustentável
Os ecossistemas costeiros estão entre os habitats mais produtivos do mundo e o mergulho recreativo é um dos múltiplos usos dessas regiões litoraneas. Nos últimos anos essa atividade tem aumentado sua contribuição para as economias de diversas cidades costeiras. O Estado do Ceará (Nordeste, Brasil) possui 573 Km de linha de costa e sua Capital Fortaleza teve, nos últimos anos, um aumento relevante do fluxo médio de turistas. Dentre os muitos atrativos naturais da região existem, próximos à linha de costa, naufrágios e ambientes recifais únicos, além de uma Unidade de Conservação Marinha (Parque Estadual Marinho Pedra da Risca do Meio). O presente estudo buscou caracterizar e diagnosticar as atividades de mergulho recreativo na região metropolitana de Fortaleza. A metodologia consistiu em analisar a percepção ambiental de mergulhadores recreativos referente aos pontos de mergulho (biodiversidade marinha, impactos ambientais), bem como os serviços e infraestrutura oferecidos. Foram realizadas pesquisas bibliográficas, bem como entrevistas e a aplicação de questionários (n=140). Os resultados sugerem que apesar de existirem 32 pontos de mergulho próximos à costa, somente o PEMPRM, com seus recifes tropicais (avaliado como 'bom/muito bom quanto' à biodiversidade marinha), é visitado regularmente. Os aspectos negativos apontados foram o tempo de navegação até os locais de mergulho, a quantidade de lixo e de linhas e redes de pesca abandonados. O barco e local de embarque/desembarque foram classificados como ruim/pobre. A maioria dos respondentes acredita que seriam incentivos para mergulhar mais regularmente na RMF a melhoria dos serviços (21,1%) e a criação de novos pontos de mergulho (20,7%). Diante da carência de informações a respeito deste tema no Estado e nos países em desenvolvimento, os resultados da presente pesquisa enquadram-se como uma fonte de informação inédita. Além disso, pode ser utilizada na elaboração de políticas públicas de educação ambiental e de exploração do mergulho recreativo. Estas políticas devem beneficiar não apenas o ecossistema marinho, bem como todos os usuários envolvidos direta ou indiretamente na cadeia produtiva e no desenvolvimento sustentável da zona costeira.