Título
A relação universidade-escola no contexto de uma comunidade de prática entre discursos e práticas no Ensino de Ciências
Nesta pesquisa investigamos uma experiência de aproximação entre dois universos educacionais, a universidade e a escola, via formação de professores e pesquisadores participantes de uma comunidade de prática. Adotamos esse modelo de interação e formação, pois defendemos a tese de a comunidade de prática ser um espaço privilegiado de mediação que favorece a produção de conhecimento sobre esses dois universos educacionais a partir da constante negociação discursiva sobre modos de agir, dizer e ser no ensino de ciências. Adotamos o referencial teórico da análise crítica do discurso de Norman Fairclough, operacionalizando do par dialético colonização e apropriação e estrutura e agencia para responder a questão de pesquisa: Como a relação universidade-escola foi mediada no discurso produzido por professores no contexto de uma comunidade de prática durante a elaboração de sequências didáticas que tratam uma QSA? A constantemente (re)negociação e (re)significação dentro do grupo recriou sentidos individuais e compartilhados sobre o papel do ensino e da pesquisa e a função de cada sujeito no grupo.A construção de sentidos foi atravessado por múltiplos discursos oriundos de diferentes ordens discursivas (Ciência, Educação, Economia, Política) e campos de saberes (pedagógico, currícular, políticas públicas da educação, ciências humanas e sociais, ciências biológicas, pesquisa em educação em ciências, educação ambiental, educação em saúde, etc.) reforçando a ideia de que os discursos em sua natureza são híbridos e heterogêneos. Na análise do discurso dos materiais elaborados identificamos os discursos que controlam as práticas docentes, dentre eles destacamos: (i) discurso curricular ; (ii) discurso político- pedagógico presente nos documentos oficias (PCNEM, LDBEN); (iii) discurso da pesquisas em ensino de ciências; e (iv) discurso pesquisa mediada pela figura do projeto OBEDUC. Evidenciando como as estruturas sociais (o Estado, a Universidade e a Escola) se relacionam e reverberam ações tanto no âmbito macrossocial quanto no microssocial viabilizando interlocuções e interdições entre os sujeitos que vivenciam esses diferentes espaços. O par dialético colonização-apropriação nos ajudaram a compreender como os professores uma vez imersos e participantes no jogo de poder que atravessava a comunidade de prática buscaram subterfúgios por meio de uma apropriação discursiva dos pesquisadores, isto é, tomando para si modos de agir, falar e ser de outra prática social, que não a sua- a pesquisa, para terem voz ativa no grupo e ao mesmo tempo poderem dizer sobre e a partir de sua prática social. Contudo, todo processo de apropriação traz consigo um processo de colonização, ou seja, uma vez que os professores se apropriam, os pesquisadores colonizam os modos de agir nesse grupo. Por fim, consideramos que esse espaço viabilizou a construção coletiva de sequências didáticas bem estruturadas, mais contextualizadas e integradas como recomendado nos documentos oficiais voltados para o Ensino Médio.