Título
A agenda 2030: transparência e opacidade dos/nos discursos para a globalização
A preocupação com a questão ambiental vem sendo pauta mundial, sendo emergente formulações de propostas para a proteção ao ambiente extremamente agredido e devastado. Acredita-se que esse desequilíbrio seja causado pelo crescimento populacional, pela aceleração da globalização, da demanda exacerbada das produções industriais e pelo consequente aumento do consumo. Dentre as iniciativas recentes, a Agenda 2030 é uma tentativa de regulamentação do desenvolvimento sustentável e uma proposta de educação ambiental e foi colocada em prática na Plataforma da Agenda 2030 (que aqui vem ser nosso objeto/corpus de pesquisa) ? uma tecnologia digital, no qual seus objetivos e metas claras podem ser acessadas por todos. Entretanto, movidos pela inquietação, questionamos: como a educação ambiental é significada na Plataforma da Agenda 2030? Que efeitos produz? Para quem ela é proposta? Quais as condições de produção que a sustentam? Quais os efeitos de sentidos são produzidos e discursos que lá circulam? Assim, sob a perspectiva teórico-metodológica da Análise de Discurso, buscamos nessa tese compreender como se dá o funcionamento discursivo da Plataforma Agenda 2030, de que natureza e para quem são dirigidos esses discursos. Para isso, utilizamos recortes (fragmentos da situação discursiva) como materialidades descritivas da referida plataforma (imagens, slogans e textos). Compreendemos, então, que a Plataforma Agenda 2030, enquanto cartilha digital da Agenda 2030, funciona entre outras instâncias, apagando, quase sempre, a espessura política daquilo que se ensina e divulga. Compreendemos a partir das análises, que a educação enquanto elemento estruturante do discurso jurídico (e também religioso) sobre o meio ambiente, é condição ímpar na mudança do comportamento do homem, para que ele aja com responsabilidade para com o planeta em última instância. Faz-se condições de produção para um discurso reformista da vida terrestre. Compreendemos, ainda, que em seu processo de individuação e de cidadania (responsabilidade civil e educação ambiental) para com o meio ambiente, apaga-se o político da ONU (representante daquele que ?comanda o mundo? e manipulador de interesses próprios em detrimento aos coletivos). Apaga-se o discurso capitalista e o discurso político. É nessa opacidade que o funcionamento do discurso da exploração ambiental que sustenta a produção e que promove lucratividade para poucos vem se mantendo, procurando por alguns que possam assumir a culpa, sem sequer reivindicar a repartição dos lucros. Os sentidos de uma cartilha digital para a educação ambiental se deslocam para o sentido de um manual digital para novas formas de consumo (o regrado; consciente; sustentável).