Título
Percepção ambiental e qualidade de água: subsídios à gestão dos recursos hídricos em uma unidade de conservação da região do Alto Uruguai Gaúcho, Rio Grande do Sul, Brasil
A participação pública no processo de gestão dos recursos hídricos está sendo gradativamente incorporada em programas de monitoramento ambiental. A utilização de
técnicas de avaliação ambiental tem sido sugerida para este fim. Porém, ainda é incipiente a efetiva atuação como tomadores de decisão, seja devido à aplicabilidade dos métodos e seu engajamento, como a complexidade envolvida do conhecimento ambiental adquirido. O presente estudo teve como objetivo de avaliar a relação entre o saber local e o científico
com enfoque na qualidade de água. Para isso, utilizou-se de métodos advindos das ciências sociais e naturais. A pesquisa foi realizada no Parque Natural Municipal Mata do Rio
Uruguai Teixeira Soares, situado na região do Alto Uruguai Gaúcho, Brasil, sendo desenvolvida em duas etapas: (i) entrevistas com os moradores do entorno da área e, (ii)
coletas de água, macroinvertebrados bentônicos, e aplicação de um Protocolo de Análise Rápido (PAR) em pontos amostrais situados dentro e fora da área. Os resultados indicam
que os moradores em geral manifestam compromisso e responsabilidade na proteção ambiental, no entanto entende-se por outrora, que ocorre interferência por parte dos
mesmos em sua qualidade. O conflito ambiental existente, pela presença da Unidade de Conservação, pode ser um indício para tal percepção. A Análise Fatorial de
Correspondência Múltipla associou a boa qualidade de água encontrada nos pontos amostrados com o papel de programas educativos como instrumentos de informação e
conscientização. A efetividade da Unidade de Conservação na preservação dos ecossistemas aquáticos pode ser conferida pelas variáveis ambientais e biológicas. A
Análise Discriminante mostrou que das variáveis ambientais, com exceção de condutividade elétrica e sólidos dissolvidos totais, as quais foram significativamente similares (p < 0,05), as demais foram as melhores para diferenciar os pontos amostrais. O PAR revelou alterações em alguns pontos, evidenciando a necessidade de algumas
alterações no instrumento para a região. O conhecimento dos moradores não estiveram fortemente correlacionados com a qualidade de água encontrada (r= 0.19; p= 0.07), porém
nota-se uma tendência em serem indicadores de qualidade ambiental. Portanto, foi possível através dos resultados encontrados, a identificação inicial do conhecimento dos moradores a respeito da qualidade de água assim como dos pontos críticos para o planejamento de projetos educativos, ajustando-os nos moldes da realidade local encontrada; subsidiando a inclusão da participação pública no processo de gestão dos recursos hídricos, ao mesmo tempo que contribui para a autonomia e cidadania dos mesmos.