Título
A formação em Educação Ambiental no município de Navegantes-SC: entre o desejável e o possível
Este trabalho analisa as aprendizagens de um grupo de professores da rede pública (estadual e municipal) de ensino de Navegantes-SC, que participaram de uma formação continuada para Educação Ambiental (EA) desenvolvida em 2007 2008 pelo Grupo de Pesquisa Educação, Estudos Ambientais e Sociedade (GEEAS), vinculado ao Mestrado em Educação da UNIVALI. Buscou-se analisar as estratégias, recursos, projetos e ações educativas desenvolvidos durante e após a formação; caracterizar limites, obstáculos e possibilidades para implementação de objetivos e estratégias da EA e, identificar compromissos assumidos, mudanças de atitudes e valores ambientais vivenciadas nesse processo. A fundamentação teórica tomou como base os princípios e objetivos da Educação Ambiental e da formação continuada na abordagem crítica (GUIMARÃES, 2000, 2004; CARVALHO, 2002, 2004; TOZONI-REIS, 2004, dentre outros). A abordagem é qualitativa do tipo Estudo de Caso (ANDRÉ, 2005), e como técnica de análise, adotou-se os procedimentos definidos por Bardin (2008), com ênfase, na análise de conteúdo de dois documentos: os questionários aplicados e a sessão de grupo focal realizados ao final do processo de formação, complementada com entrevistas semi-estruturadas com os sete professores de Navegantes que participaram da formação. Quanto à aprendizagem dos fundamentos teórico-metodológicos em EA, sobre o tema gerador Sustentabilidade e o uso das tecnologias , pode-se afirmar a percepção de uma aprendizagem significativa de alguns dos referenciais teóricos e abordagens metodológicas para desenvolverem seus projetos durante e após a formação. Constatou-se limitações impostas pela precarização do trabalho docente, vinculação do trabalho pedagógico do professor ao livro didático, e da falta de hábito em utilizar a literatura da área. A EA vem sendo incorporada a determinadas disciplinas responsáveis pela organização deste tema em cada escola, havendo consenso de que deveria ser trabalhado de forma transversal, fazendo parte do Projeto Político Pedagógico. As estratégias desenvolvidas nos projetos nas escolas foram fundamentadas no tema gerador sustentabilidade, tema este, que os educadores afirmaram desconhecer a sua definição e importância social antes do curso. Notou-se empenho dos professores(as) para concretizar seus projetos nas escolas, apesar da dificuldade em envolver os colegas, equipe pedagógica e a comunidade local, pois há muitas ideias para se mobilizar a sociedade, mas na prática estas atividades se tornam muitas vezes pontuais. Conclui-se pela análise dos documentos e relatos dos professores que os avanços das políticas públicas e de governo para o enraizamento da EA e a ambientalização curricular, confirmam a conclusão da pesquisa nacional O que fazem as escolas que dizem que fazem Educação Ambiental (TRAJBER & MENDONÇA, 2006), quando aponta como a EA vem sendo trabalhada nas escolas, à margem do currículo e principalmente na forma de projetos, nem sempre com a devida continuidade. Entende-se que a formação de professores para a EA deve estimular a participação cidadã, visando as mudanças de valores e atitudes, pois o curso promovido se preocupou com uma formação para a cidadania, preparando os professores para analisar criticamente a realidade e, consequentemente, contribuindo para o bem estar e qualidade de vida.