Título
A Educação Ambiental e novo padrão de sociabilidade do capital: um estudo nas escolas de Teresópolis (RJ)'
Esta dissertação, resultado da pesquisa de Mestrado, tem como objeto compreender a inserção da Educação Ambiental (EA) nas escolas públicas, utilizando como estudo de caso a rede municipal de Teresópolis (RJ). A EA crítica é o referencial teórico adotado, que permitiu compreender este processo no ensino formal, em suas relações com as políticas públicas educacionais federais e municipais, além do contexto de reorganização do padrão de sociabilidade do capitalismo. No aspecto metodológico, a pesquisa foi desenvolvida inicialmente pela análise da Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), da leitura da bibliografia disponível, e dos documentos oficiais da educação da cidade. Num segundo momento, a pesquisa priorizou o estudo dos projetos oficiais de EA da Secretaria Municipal de Educação e a pesquisa diretamente nas escolas por meio da aplicação de questionário que foi construído com base em modelo utilizado pelo MEC em sua pesquisa ?O que fazem as escolas que dizem que fazem educação ambiental??, realizada em 2006. A pesquisa concentrou-se na análise dos processos de hegemonia relacionados formação da nova sociabilidade realizada pela classe empresarial no país, tentando responder duas questões centrais: o empresariado no Brasil é de fato portador de um novo projeto para reordenar a sociabilidade? Existindo um novo projeto, em quem consiste seu conteúdo, quais são suas estratégias e em que medida, a Educação Ambiental é incorporada neste novo projeto de sociabilidade? Em sentido figurado, mas que ajuda a compreensão dos efeitos das estratégias adotadas no MEC, sinteticamente é possível afirmar que a educação ambiental relativa à escola torna-se um elemento que se movimenta em paralelo à educação instituída. Não consegue, desse modo, se inserir como algo que a produz e a requalifica, segundo as exigências de materialização de uma escola pública democrática e capaz de
contribuir na promoção de processos que superem as relações sociais destrutivas inerentes à sociedade capitalista. Contrariamente, o que se identificou foi que a inserção da EA nas escolas está, muitas vezes, ligada as necessidades de alguns setores do empresariado que passaram a atuar no espaço escolar, através de projetos associados a política de responsabilidade social, num contexto de reorganização do padrão de sociabilidade do capital. Ao término da pesquisa, foi possível concluir que as questões fundamentais: Currículo (diretrizes, arranjo e conteúdo), reorganização da carga horária docente (gestão escolar) e formação inicial e continuada de professores, ainda precisam ser contempladas pelas políticas públicas para o efetivo enraizamento da EA no contexto escolar.