Título
Investingando a injustiça ambiental no Brasil: conflitos ambientais e riscos à saúde nos bairros Nova Holanda e Nova Esperança no município de Macaé-RJ
A injustiça ambiental pode ser definida como mecanismo pelo qual sociedades desiguais, do ponto de vista econômico e social, destinam a maior carga dos danos ambientais do desenvolvimento às populações de baixa renda, aos grupos étnicos tradicionais, aos bairros operários, às populações marginalizadas e vulneráveis (ACSELRAD, 2009; HERCULANO, 2004). Como decorrência dessa definição, o presente trabalho foi desenvolvido com o objetivo de avaliar a hipótese da presença de injustiça ambiental nos bairros Nova Holanda e Nova Esperança no município de Macaé, Estado do Rio de Janeiro. Esses bairros são caracterizados pela presença de população de baixa renda e carência em infraestrutura (MACAÉ, 2006). Para investigarmos a injustiça ambiental nessas localidades foi aplicado um questionário semi-estruturado para os educadores da área de ciências e geografia, das seguintes escolas: C.E. Profª Vanilde Natalino Mattos, E.M. Prof. Samuel Brust e E.M. de Pescadores de Macaé, com o objetivo de conhecer os principais problemas ambientais do município e das localidades estudadas, pelo ponto de vista dos entrevistados que atuam nesses bairros. Além dos educadores, também foram entrevistados profissionais dos Postos da Saúde da Família dessas localidades e o Presidente da Associação do Bairro da Nova Holanda. Após a tabulação dos dados foi possível detectar que, do ponto de vista dos entrevistados, os maiores problemas ambientais do município e das localidades estudadas são a ocupação desordenada em áreas de enchente e transbordamento, o lançamento de esgoto in natura e a redução de áreas de manguezal. Com o objetivo de avaliar a injustiça ambiental, os resultados dos questionários semi-estruturados foram comparados com dados sobre as condições sociais dos moradores dessas localidades, com base na pesquisa domiciliar realizada pelo governo municipal, entre os anos de 2006 e 2007. Após essa comparação foi possível confirmar a hipótese de injustiça ambiental nos bairros estudados, onde a população foi classificada com o indicador de alta à altíssima vulnerabilidade econômica. Para a superação desse quadro foram propostas ações em educação ambiental, utilizando o mapa temático desenvolvido nesse trabalho, pois a espacialização dos quadros de injustiça ambiental pode ser considerada uma estratégia para a mobilização das comunidades afetadas, visto que ele permite a discussão e análise dos problemas por elas vivenciados (ZHOURI, 2009). A partir da metodologia descrita neste trabalho, a ocorrência de injustiça ambiental em outros bairros do município de Macaé poderá ser avaliada, com vistas a colaborar com a construção do quadro geral sobre a injustiça ambiental no Brasil.