Título
Impactos socioambientais no estuário do rio Jaguaribe, o caso da cidade de Aracati - CE
O rio Jaguaribe foi fundamental para o desenvolvimento da cidade do Aracati. Nas últimas décadas verifica-se a degradação do ecossistema fluviomarinho ocasionado por vários impactos ambientais. Analisar os impactos socioambientais no estuário do rio Jaguaribe, destacando o processo de expansão urbana da cidade entre os anos de 1980 a 2008, relacionados com o desenvolvimento do turismo, da indústria e o agronegócio da carcinicultura e sugerir medidas que reduzam os impactos ambientais é o principal objetivo deste trabalho. A teoria geossistêmica contribuiu como método para a análise das relações entre o processo de urbanização, as formas de uso e ocupação das unidades geoambientais e os impactos socioambientais no estuário do rio Jaguaribe. Utilizou-se o roteiro de entrevista semiestruturada e o enfoque fenomenológico como procedimento qualitativo para compreender e interpretar a visão da sociedade em relação à importância e a degradação ambiental no rio Jaguaribe. Através do trabalho de campo foi possível observar o modo de vida da sociedade e entrevistar agentes políticos e lideranças comunitárias locais. Constatouse que a urbanização acelerada da cidade, nas últimas décadas, foi responsável pelos seguintes impactos socioambientais: ocupação irregular das margens fluviais, contaminação do solo através do lançamento de esgoto oriundo de fossas sépticas, que correspondem a 80% do destino final dos efluentes domésticos da cidade e o tratamento ineficiente dos resíduos sólidos no lixão inserido no bairro Pedregal. O agronegócio da carcinicultura desenvolvido no estuário do rio Jaguaribe promoveu o desmatamento do manguezal, o lançamento de efluentes no rio contendo substâncias químicas utilizadas nos criatórios de camarão; instalação de empreendimentos sem as licenças dos órgãos ambientais, promovendo o assoreamento, a redução de 60% das espécies marítimas e estuarinas, o comprometimento da fauna silvestre causado pelo desmatamento do mangue, promovendo prejuízos econômicos para os pescadores. A conclusão obtida é que são necessárias iniciativas de conservação e recuperação das áreas degradadas, dentre elas: uma rigorosa fiscalização, por parte dos agentes públicos e dos órgãos ambientais das esferas municipal, estadual e federal; o cumprimento da legislação ambiental que proíbe a ocupação de APP's; maior participação das comunidades tradicionais nas decisões sobre a instalação de empreendimentos econômicos; a implementação de projetos de educação ambiental em parceria com a sociedade aracatiense, a fim de que esta atue como agente de fiscalização e conservação do patrimônio natural da cidade.