Título
Análise da utilização de um ambiente virtual no aperfeiçoamento do professor como educador ambiental
A pesquisa avalia as possibilidades e obstáculos da utilização de um ambiente virtual de aprendizagem (AVA) na formação continuada de professores como educadores ambientais em escolas públicas de Itajaí, Navegantes, Camboriú e Itapema, no Estado de Santa Catarina, durante o curso de desenvolvimento de materiais e tecnologias para educação ambiental, realizado pelo Grupo de Pesquisa Educação, Estudos Ambientais e Sociedade (GEEAS) do Mestrado em Educação da Univali. Investigou-se como os participantes se apropriaram das tecnologias de informação e comunicação (TIC) a partir de um AVA, no caso o TelEduc, e como ocorreram a experiência de aprendizagem cooperativa e a interação entre eles e com a equipe técnica. O referencial teórico tomou como base principalmente as abordagens sobre aprendizagem significativa (AUSUBEL, 1968), mediada (FEUERSTEIN, 1991) e cooperativa em AVA (CAMPOS et al., 2003; GUERRA, 2001; MCCONNELL, 1994). A pesquisa foi qualitativa, do tipo participante, e consistiu na análise documental do material produzido no curso e das demais atividades mediadas pelo ambiente virtual. Foram entrevistados seis dos dezoito professores cursistas com a finalidade de identificar as experiências de aprendizagem vivenciadas no curso e a interação entre os participantes, bem como limitações e possibilidades da utilização do AVA na formação continuada em educação ambiental. Como técnica de análise, optou-se por adotar os procedimentos definidos por Bardin (2008), com ênfase, portanto, na análise de conteúdo. Quanto às experiências de aprendizagem vivenciadas, os resultados apontaram a presença das aprendizagens significativa, mediada e cooperativa. O processo de mediação com o AVA mostrou-se um trabalho essencialmente cooperativo, pois, nos relatos analisados, esse aspecto esteve presente constantemente na promoção da aprendizagem para a aquisição do conhecimento do tema gerador, sustentabilidade, e promoção de valores e atitudes; propiciou a superação de uma série de obstáculos pedagógicos e dificuldades, como a falta de experiência quanto ao uso de certas tecnologias, demonstrada por alguns cursistas. Dentre as atividades realizadas no curso e beneficiadas pelo AVA, destacaram-se o fórum de discussões e a elaboração de mapas conceituais dos projetos desenvolvidos. Salienta-se também a importância do material de apoio disponibilizado e o acesso aos portifólios. Os principais obstáculos verificados na utilização do AVA foram representados pela falta de conhecimento, por parte de alguns cursistas, quanto ao uso das diversas tecnologias, embora este fosse pré-requisito básico para a participação do curso. A falta de acesso à internet e a computadores nas escolas para os encontros virtuais também foi indicada pelos entrevistados. Os professores sugeriram otimização do uso do chat e melhoria no layout do ambiente. Com relação à interação dos cursistas e deles com a equipe técnica, percebeu-se que todas as ferramentas propostas para o curso foram utilizadas, sendo que a agenda e o portifólio foram as mais acessadas e as leituras e o fórum de discussão, os que obtiveram o menor número de acessos. Concluiu-se que a simples disponibilidade de TIC e de ambientes virtuais e aprendizagem não garantem uma prática inovadora e uma aprendizagem significativa. O que se constata é que o uso das tecnologias como recurso na formação continuada, especialmente em EA, só será significativo se estiver aliado ao conhecimento teórico e à adoção de abordagens inovadoras para a sua utilização