Título

Percepção ambiental como ferramenta diagnóstica para o processo de integração entre uma unidade de conservação e a comunidade do entorno

Programa Pós-graduação
Ecologia e Conservação de Recursos Naturais
Nome do(a) autor(a)
Priscilla Andrade Teles
Nome do(a) orientador(a)
Giuliano Buza Jacobucci
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2015
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

É notável a atual situação de degradação e modificação dos bens naturais em que o planeta se encontra e a perda considerável do poder de recuperação inerente aos ecossistemas. Concomitante a isso, todas as comunidades e espécies sofrem as conseqüências dessas alterações sem planejamento. A criação de unidades de conservação (UCs) através do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) foi uma ação concreta na intencionalidade de frear esses processos, o que, por outro lado, gerou conflito de interesses sócio-ambientais, geoeconômicos e político-culturais entre comunidades tradicionais do entorno dessas unidades, instituições, entidades governamentais e sociedade em geral. O Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA) do país prevê a integração das comunidades e dos gestores das UCs através da administração co-participativa para o fim desses conflitos. Os princípios da Educação Ambiental regem a metodologia encontrada para a transformação sócio-educativa dos paradigmas do ensino tradicional, ainda vigentes na nossa sociedade e intrinsecamente relacionados aos problemas ambientais, contrários à pedagogia dialógica freireana, que valoriza o conhecimento popular e a pró-atividade cidadã e à Ecopedagogia, que reintegra o ser humano ao seu ambiente natural, a Terra. A ferramenta adequada para o início de uma sensibilização ambiental é o diagnóstico através da percepção ambiental dos indivíduos. Neste contexto, o objetivo de nosso trabalho foi identificar a percepção ambiental da comunidade Tenda do Moreno localizada no entorno do Parque Estadual do Pau Furado (PEPF) em Uberlândia ? MG. Para tal, a pesquisa estruturou-se, num primeiro momento, em avaliar a percepção ambiental dos moradores dessa comunidade, através de entrevistas semi-estruturadas realizadas em suas residências. Num segundo momento, avaliamos a percepção ambiental de estudantes da escola da comunidade e desenvolvemos atividades de intervenção de Educação Ambiental (EA) com o propósito de sensibilizar as crianças para a importância da conservação e da função do PEPF. Utilizando a metodologia da Análise de conteúdo, detectamos em quase 60% dos 118 moradores entrevistados uma percepção sistêmica da natureza, enquanto aproximadamente 32% expressou uma visão antropocêntrica. Percepções mistas foram detectadas em 21%. Uma parte considerável dos moradores (47 indivíduos) disse não conhecer o parque, embora muitos reconheçam sua importância. Entre os 46 estudantes entrevistados, metade expressou uma percepção antropocêntrica da natureza, enquanto quase 36% apresentou uma visão sistêmica. Dezessete crianças disseram não conhecer o parque e uma parte dos estudantes reconhece algum aspecto da importância de sua existência. Durante as atividades de intervenção, houve grande participação e dedicação dos estudantes, além de massiva expressão de suas opiniões pessoais e vivências cotidianas. Em relação aos dez estudantes com os quais foi feita a segunda avaliação de percepção ambiental após a intervenção, 80% apresentou percepção sistêmica e enfatizou a importância da conservação e do parque. Acreditamos que a continuidade das atividades de intervenção possa gerar perspectivas positivas de transformação sócio-ambiental efetiva no cotidiano escolar. Atividades regidas pela Ecopedagogia e que incentivem o protagonismo cidadão nos jovens estudantes são fundamentais, enquanto que com a comunidade, maior aproximação e diálogo por parte dos gestores da UC devem ser elementos importantes para que modificações efetivas sejam geradas.


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