Título
Transformações pessoais: no embalo das danças circulares sagradas o reencontro com a natureza do ser
O estudo 'TRANSformAÇÕES' pessoais: no embalo das danças circulares sagradas o reencontro com a natureza do ser' seguiu um estilo de investigação pautado em sete intervenções realizadas com dois grupos distintos: um, do gênero feminino, composto por educadoras em processo de formação em serviço de uma escola pública estadual da região das Missões (RS/Brasil); outro, de ambos os gêneros, com participantes do grupo de idosos de um projeto institucional de uma Universidade da região das Missões. O objetivo primevo foi investigar o significado das Danças Circulares Sagradas (DCS) no processo educativo. Como objetivos secundários os seguintes: viabilizar a prática das DCS em forma de oficina de educação estética para dois grupos distintos; compreender a dança e sua dimensão educativa no contexto formal e não formal; estabelecer posição de escuta, análise e interpretação diante da inserção das DCS nos diferentes espaços educativos; e vincular as DCS à cultura de paz. Fizeram parte da amostra oito participantes, todas do gênero feminino, escolhidas de forma intencional pela frequência e participação nos encontros: quatro docentes da escola pública e quatro participantes do projeto institucional. Os encontros semanais divididos em três momentos: a sensibilização, as rodas e a despedida. A investigação foi norteada por uma abordagem qualitativa, sustentada por uma Cosmovisão fundamentada no Paradigma Simbiosinérgico e Inventivo (BERTRAND; VALOIS, 1994) e valorada por um estilo reflexivo/interpretativo assentado na hermenêutica e na fenomenologia. Os instrumentos utilizados para a coleta das informações foram o diário de campo e a entrevista fenomenológica oral, individual e aberta, gravada e depois transcrita. A questão disparadora da entrevista foi: que significado teve para você participar da oficina de DCS? Para a organização e compreensão das informações, aplicou-se o método fenomenológico proposto por Giorgi (2009) e Comiotto (1992). Foram seguidos os seguintes passos até serem atingidas as essências fenomenológicas: o sentido do todo; as unidades de significado; a transformação das expressões dos participantes em expressões psicossensíveis; síntese das estruturas de significado; e as dimensões fenomenológicas. Da aplicação do método fenomenológico surgiram as seguintes essências e dimensões que responderam à pergunta norteadora e à proposta da tese: a importância do grupo (acolhimento e aproximação; cuidado de si e do outro; confiar e sentir-se parte do grupo); ser e estar sensível, emoções e sentimentos (re)encontrar-se, fortalecer e celebrar; inteireza e totalidade, caminhos para a paz); infância e adolescência (recordações; crianças e adolescentes: risos e choros; brincar, brinquedos e brincadeiras); dança circular e espiritualidade (mandala: relação exterior e interior; energia do círculo: densa e sutil; dança e meditação). Os significados atribuídos pelas participantes a partir da oficina de DCS reafirmam o potencial que as danças têm para o processo educativo nos espaços formais e não formais, pois viabilizaram a prática das DCS em forma de oficina de educação estética para os grupos participantes, assim como foi possível compreender a dança e sua dimensão educativa no contexto formal e não formal, estabelecendo uma posição de escuta, compreensão e interpretação diante da inserção das DCS nos diferentes espaços educativos como fonte potencializadora de uma cultura e educação para a paz a partir de uma cosmovisão estética pautada na formação para a sensibilidade, que percebe os seres humanos (homens e mulheres) como partícipes do processo ensino-aprendizagem. Ao ofertar a vivência das DCS em espaços formais e não formais, as DCS atuaram como potencializadoras de uma cultura de paz e não violência.