Título
Sensibilização socioambiental com as obras cinematográficas de Don Bluth
É lamentável que ainda exista uma visão fragmentada entre as Artes e as Ciências, principalmente no que se refere, por exemplo, à Educação Ambiental. Desejo com este trabalho cooperar para reduzir, em parte, a dicotomia existente entre Arte/Ciência e Homem/Natureza, dialogando com as obras cinematográficas de Don Bluth. Estabeleci como objetivos para este estudo: reconhecer e sistematizar elementos sensibilizadores, bem como fornecer subsídios para a utilização de animações para o processo educativo em Educação Ambiental, a partir da interpretação da percepção de estudantes a duas produções de Don Bluth. A definição pela utilização das obras de Bluth deu-se em virtude de suas produções possuírem características peculiares que as diferem das de seus concorrentes, e cuja temática pode proporcionar reflexões socioambientais, a começar pelo fato de suas personagens serem, na maioria das vezes, animais de formas antropomórficas. Para a construção do referencial teórico-metodológico, apoiei-me em autores do campo da Educação/Educação Ambiental e/ou Ciências Sociais. A pesquisa, pautada em fundamentos qualitativos de caráter descritivo fenomenológico, tem como perspectiva a fenomenologia da percepção de Merleau-Ponty. A delimitação dos longas-metragens, a serem utilizados na pesquisa, deu-se por um estudo da linha do tempo produzida com a filmografia das produções de Don Bluth: a primeira animação dele, 'A Ratinha Valente' (1982), e uma animação da década de 90: 'Chantecler, o Rei do Rock' (1991). Os dois filmes foram exibidos a um grupo de 20 alunos da Escola Municipal de Educação Básica Stanislau Gaidzinski Filho (Capivari de Baixo - SC), para compreender como esses estudantes são afetados (ou não) por tais animações. Para a busca de informações, as duas exibições de filmes foram registradas através de filmagem e fichas de observação, além de 'rodas' de conversa com os alunos. Os diálogos foram transcritos e interpretados à luz da percepção em quatro níveis: aspectos audiovisuais; impressões sobre o filme; relação das crianças com os filmes; relações com a Educação Ambiental. Após esse processo, também foram analisados os filmes e selecionadas as cenas e/ou situações nas quais considero a existência ou potencialidade de elementos sensibilizadores em Educação Ambiental. Dentre os resultados, a pesquisa permitiu compreender vários aspectos da percepção das crianças acerca do processo educativo com filmes em sala de aula, tais como: da clareza de que o cinema de animação seja empregado a partir de objetivos bem definidos; de um trabalho instigante que objetive uma Educação Ambiental crítica, transformadora e emancipatória com vistas a contribuir com a formação dos sujeitos como agentes transformadores de sua realidade; da preparação/criação/adaptação de espaços físicos compatíveis com as necessidades das crianças, garantindo um ambiente agradável e confortável aos participantes; da necessária reflexão acerca do que são 'valores' e sua importância; da necessidade de o/a professor/a estar atento às potencialidades oferecidas pelo cinema de animação para a Educação Ambiental. A utilização desse recurso requer ainda o planejamento consistente e criterioso da aula, o vigor teórico-metodológico e epistemológico acerca do processo sensibilizador que se almeja desvelar. Mas, sobretudo, com o olhar atento e cuidadoso de quem busca uma formação vigorosa e amorosa.