Título
Projeto 'mangueando na educação' (Semmam, Vitória-ES): um olhar sobre a complementaridade na educação formal e não-formal na perspectiva da Educação Ambiental crítica
O ecossistema manguezal possui extrema importância cultural, histórica, social, econômica e ecológica para o município de Vitória, ES. Diante disso, a Secretaria de Meio Ambiente de Vitória (Semmam), desenvolve desde 2007, o projeto 'Mangueando na Educação', com o objetivo de promover Educação Ambiental, visando ampliar o nível de conscientização da população quanto à importância da preservação do ecossistema manguezal. Nesse sentido, esta pesquisa investigou as contribuições das atividades desenvolvidas por este projeto, no contexto da educação formal, da educação não formal da Educação Ambiental Crítica (EAC). Para isso, a pesquisa, de cunho qualitativo, utilizou a metodologia do estudo de caso que envolveu intervenção em duas turmas do 2º ano do curso técnico em Meio Ambiente, da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio 'Almirante Barroso', localizada no entorno da área de manguezal da porção noroeste do município de Vitória. As reflexões e discussões se deram considerando os referenciais teóricos da Teoria da Complexidade de Edgar Morin e da Educação Ambiental Crítica defendida por Mauro Guimarães. A produção de dados se deu por meio de documentos oficiais da Semmam; diário de bordo e observação participante pela pesquisadora; questionários; e entrevista utilizando a estratégia metodológica de grupo focal. Os dados foram analisados no contexto da educação formal por meio da percepção dos alunos e pedagoga da escola; no contexto da educação não formal por meio da análise da presença dos indicadores propostos por Maria da Glória Gohn; e no contexto da Educação Ambiental Crítica a partir de três indicadores desenvolvidos nesta pesquisa. Os resultados apontam que o projeto 'Mangueando na Educação' vem colaborando de forma satisfatória no contexto da educação formal de um curso técnico em meio ambiente, contempla todos os indicadores esperados para a educação não formal e alcança com sucesso os indicadores da Educação Ambiental Crítica. Ressalta-se a necessidade de integração e complementaridade entre a educação formal e não formal com fins de se alcançar uma EAC, principalmente quanto à formação de cidadãos críticos, com vistas a transformar suas visões e leituras de mundo, de forma individual e coletiva. O trabalho, resultado de uma pesquisa de Mestrado profissional, apresenta como produto educativo um Guia que potencializa o uso de uma trilha interpretativa no manguezal da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), com finalidade de atuar no aprimoramento da percepção ambiental, na valorização dos saberes populares e na condução de uma Educação Ambiental Crítica.