Título
Poder e resistênciia nos diálogos das ecologias licantrópicas, infernais e ruidosas com as educações menores e inversa (e vice-versa)
Na perspectiva das filosofias da diferença, principalmente no pensamento de Nietzsche e Foucault, o poder não precisa ser compreendido somente sob os auspícios da dominação e do controle, mas principalmente como um exercício nas relações de forças. Porém, ao tornar-se uma obsessão, a adoração e obstinação pelo exercício do poder acabam por descambar em uma atividade fascista, seja ela na dimensão macro ou micropolítica. Utilizando os conceitos de poder e resistência presentes no trabalho de Foucault, e em alguns intérpretes do pensamento libertário contemporâneo e das filosofias da diferença, esta tese busca realizar uma série de diálogos entre a educação e a ecologia, sem necessariamente estabelecer princípios ou fundamentos de uma Educação Ambiental. A proposta deste trabalho, inversa e disjuntiva às propositivas oficialistas e normalizadoras em Educação Ambiental, é levantar algumas possibilidades de promover relações entre a educação e a ecologia que resistam à imposição de uma lógica unívoca, condutiva e policialesca. Na primeira parte, o conceito de poder é utilizado para discutir a promoção da unificação, da homogeneização e da cristalização das práticas cotidianas sob a égide da Educação Ambiental institucionalizada nas políticas públicas, destacando as discussões sobre as relações entre o poder e o saber, a normalização, a pastoralidade, a governamentalidade e o exercício policial. Na segunda parte, são abordadas possibilidades de resistências que buscam inverter (no sentido de inversão nietzscheana-deleuziana da filosofia) e tornar menor (como condição insubmissa e rebelde do pensamento e da prática cotidiana) a ecologia e a educação, assim como a relação entre as duas. Os aspectos licantrópico (de ?monstruosidade? mestiça e híbrida), infernal (de rompimento com o Uno e multiplicador das diferenças) e ruidoso (do incômodo ao pensamento e a uma ilusória harmonia) dessas relações menores e inversas entre a educação e a ecologia estão presentes, nessa tese, nos discursos e capas dos álbuns de diversos conjuntos heavy metal, thrash metal, death metal, hardcore e grindcore, ou seja, do que pode ser chamado de (anti)música ou música extrema.