Título
Percepção e Educação Ambiental: movimento fenomenológico hermenêutico para o diálogo com professores da Vila da Glória (Brasil) e Viana do Castelo (Portugal)
Situada no contexto do grupo de pesquisa Educação, Estudos Ambientais e Sociedade (Geeas), do programa de pós-graduação em Educação da Universidade do Vale do Itajaí ? Univali, esta pesquisa apresenta duas vivências de Educação Ambiental em duas comunidades de professores: uma, junto aos professores de uma escola localizada no entorno da Baía Babitonga, na Vila da Glória, São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina, Brasil. A outra, no Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental de Viana do Castelo, junto aos professores daquela localidade do litoral norte de Portugal. A pesquisa partiu da experiência inicial da pesquisadora em um programa de Educação Ambiental, na região da Baía Babitonga, o qual serviu como base para compreender os reflexos dos programas de Educação Ambiental nas comunidades escolares. Neste contexto, esta tese teve por objetivo reconhecer e interpretar as percepções e o envolvimento de professores com a Educação Ambiental, nas duas comunidades. A partir disso, defendeu-se, com base nos fundamentos teóricos e metodológicos da Fenomenologia da Percepção, de Merleau-Ponty (1999) e da Hermenêutica, de Gadamer (1997, 2002, 2007), o argumento de que revelar a percepção de professores acerca da Educação Ambiental pode contribuir para a ampliação do diálogo e, consequentemente, aproximar as práticas de programas de Educação Ambiental 'para' e 'no' contexto da escola. Imersa nos campos da pesquisa e experienciando vivências profundas, a pesquisa ressaltou que o movimento fenomenológico hermenêutico permitiu revelar o conhecimento e o reconhecimento do 'eu' enquanto pesquisadora no âmbito da Educação Ambiental. Desse modo, em analogia ao círculo hermenêutico proposto por Gadamer, apresentou-se uma 'rede' como representação das vivências e interpretações. Sem promover comparações entre as duas comunidades estudadas, revelaram-se as interpretações que se emalharam nesta 'rede' em cada grupo de professores: Na Vila da Glória uma comunidade que reconhece as questões socioambientais locais e percebe a Educação Ambiental como uma possibilidade para discutir estas questões na escola;em Viana do Castelo, desvelou-se a percepção de que as atividades e ações de Educação Ambiental direcionam-se à disciplina de Ciências, atendendo ao currículo escolar português. Um fenômeno comum revelado nas duas comunidades foi a ausência da Educação Ambiental na formação inicial e continuada dos professores. Mas, como o fim da tese não indica o fim da caminhada, lança-se também um movimento de abertura para novas interrogações.