Título

Para além da comida-mercadoria: contradições da realidade e da consciência à luz da Educação Ambiental crítico-transformadora

Programa Pós-graduação
Educação Ambiental
Nome do(a) autor(a)
Andreisa Damo
Nome do(a) orientador(a)
Elisabeth Brandao Schmidt
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2016
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Esta tese denuncia as contradições próprias à lógica do modo de produção hegemônico que têm degradado a qualidade dos alimentos. A mercantilização onipresente, a alienação, a não sustentabilidade e a injustiça ambiental caracterizam as relações que o capital impõe à natureza e à sociedade. A mais marcante contradição de sua economia baseada na supremacia do lucro, na concentração de riqueza e poder e nas desigualdades distributivas é a distorção da ontologia do alimento, que deixa de ser elemento essencial à vida e à saúde para servir aos interesses privados, os quais lhes exploram o fetiche de mercadoria. Temos compreendido que as contradições da própria realidade produzem condições para a formação de contradições na consciência, afastando-a da compreensão crítica dos fenômenos e processos da natureza-sociedade. A pesquisa, de cunho qualitativo, teve por objetivo compreender as contradições existentes na consciência, que reverberam na totalidade da produção, distribuição e consumo de alimentos. A produção do material empírico deu-se por meio da realização de grupos focais junto a escolares do município do Rio Grande, localizado no extremo sul do Rio Grande do Sul. O processo analítico teve por base a proposta dialético-hermenêutica de Minayo. Foram analisadas as representações sociais que estudantes de escolas do Rio Grande elaboraram sobre o fenômeno da alimentação e como elas se apresentam em suas práticas alimentares cotidianas. A investigação dessas representações revelou contradições próprias à consciência ingênua, que constituem barreiras à ruptura com a comida-mercadoria e à superação do modo hegemônico de produzir e consumir alimentos. Tais contradições expressam relações da realidade vigente responsáveis pela banalização do ato de alimentar-se. A mais evidente revela que a comida-mercadoria não é reconhecida como um problema pelos estudantes adolescentes e, assim, não é questionada. Além disso, certas noções do "saudável", elaboradas pelos escolares não correspondem aos hábitos alimentares que os mesmos reproduzem no cotidiano, o que expressa a naturalização da comida-mercadoria e evidencia a padronização dos gostos e a alienação das escolhas alimentares. Outro aspecto a salientar é que o gosto se revelou o elemento decisivo nas escolhas alimentares dos adolescentes, o que os torna suscetíveis à manipulação da indústria alimentícia. Os resultados da análise do campo empírico no diálogo com autores como Raj Patel, Barbara Kingsolver e Marcia Kedouk, entre outros, possibilitaram a construção de argumentos para defender a tese de que a necessária transformação dos hábitos alimentares para um padrão ético e estético coerente com a saúde e a qualidade da vida humana exige a contribuição de uma Educação Ambiental crítica, transformadora e emancipatória. Centrada na problematização das contradições da realidade e da consciência à luz da Educação Ambiental crítico-transformadora esta tese aprofundou o entendimento da alimentação como fenômeno material social numa aproximação à sua totalidade, ressaltando a importância da formação de hábitos alimentares conscientes, coerentes com a vida, a saúde e o ambiente, em consonância com a transformação necessária do modelo vigente de sociedade, para além da comida-mercadoria.


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