Título

Os dilemas socioambientais no entorno do parque nacional da Chapada dos Veadeiros: uma análise pela perspectiva crítica da Educação Ambiental

Programa Pós-graduação
Ciências Ambientais
Nome do(a) autor(a)
Alessandro Silva de Oliveira
Nome do(a) orientador(a)
Agustina Rosa Echeverría
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2016
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Este trabalho situa-se no campo da Educação Ambiental crítica, cuja perspectiva se fundamenta nos propósitos de ser desveladora e comprometida com a transformação dos contextos sociais e a formação de pessoas capazes de identificar, questionar, propor soluções e agir perante as questões socioambientais. O estudo foi realizado com os sujeitos da Vila de São Jorge, localizada nas proximidades do parque nacional da Chapada dos Veadeiros (PNCV), em Goiás. A população, formada basicamente por ex-garimpeiros, vive submetida a situações de difícil sobrevivência para a maioria. A intervenção dessa população nas situações do contexto social da Vila poderia contribuir para a constituição de melhores condições sociais; no entanto, essa intervenção é baixa no povoado. Para analisar o que favoreceria a maior participação da comunidade, desenvolvemos um estudo de caso que contou com a participação de 44 pessoas e cuja coleta dos dados ocorreu em períodos diferentes, durante três anos. Utilizamos instrumentos sugeridos para as pesquisas qualitativas e aplicamos o método da análise de conteúdo pela técnica da categorização. Assim, pela perspectiva da Educação Ambiental crítica, analisamos as concepções de meio ambiente, as concepções e práticas de Educação Ambiental e os interesses e a participação dos sujeitos. As inferências foram possíveis pelo significado das mensagens que emergiram de entrevistas com os sujeitos com o apoio de informações provenientes de outras fontes. A análise sobre os interesses e a participação dos sujeitos mostra uma predominância das dimensões naturais do espaço, o que favorece uma sinergia de ações para diminuir a degradação, mas que reflete uma percepção ?ecologizada? das dificuldades sociais apreendidas na análise. Esses interesses e participação relacionam-se com a concepção predominante de meio ambiente como recurso que condiciona visões utilitaristas. Outras concepções/práticas, de Educação Ambiental, com perspectivas holísticas, de sensibilização e naturalistas, também aparecem na análise. No entanto, como não pretendem a explicitação das contradições em seus processos, não estimulam posturas de questionamentos e intervenção nas condições precárias de vida no lugar. Abstraídas, portanto, das múltiplas relações sociais, pouco contribuem para compreensões mais aprofundadas acerca dos problemas socioambientais. Visões críticas de espaço e interações, que são mais propícias ao estímulo da participação dos sujeitos, aparecem mesmo que minimamente entre os entrevistados. Situadas em dimensões sociais e políticas, tais visões poderiam contribuir para o desenvolvimento crítico do ser humano, o que é um fator importante na luta por melhores condições de vida. O estudo dessas categorias permitiu-nos concluir que os aspectos favoráveis a maior participação da comunidade são reduzidos. Mesmo assim, consideramos que tais aspectos propiciariam a participação, pois pressupõem a intervenção crítica dos sujeitos e podem ser ampliados a um maior número de pessoas pela interação uma com as outras, favorecida por espaços como o de associações na Vila de São Jorge.


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