Título
Geografia e Educação Ambiental: uma abordagem a partir da teoria da atividade
Esta pesquisa partiu do pressuposto de que, embora seja possível alcançar resultados significativos com as práticas de Educação Ambiental no interior das instituições de ensino básico, há uma ruptura quanto aos objetivos alcançados com crianças e adolescentes, pois observa-se que é comum essas práticas se constituírem como isoladas e direcionadas apenas por um ou alguns membros dessas instituições. A pesquisa considerou que as ações ocorrem num determinado Lugar que adquire significado a partir da subjetividade dos sujeitos. Tal fato, instigou a investigar as ações que se desenvolvem na escola como um Lugar onde se estabelecem diversas relações, entre elas, as de Educação Ambiental. Admitiu-se como problema desta pesquisa, as relações entre ações individuais e coletivas e de que maneiras elas interferem na constituição da escola como um Lugar para o desenvolvimento da Educação Ambiental. Para tanto, teve-se como objetivo geral da pesquisa analisar, a partir da Teoria da Atividade, as relações que se estabelecem entre os sujeitos de um determinado Lugar considerando as práticas de Educação Ambiental. Como objetivos específicos, averiguar a contribuição do Lugar para a Educação Ambiental; Identificar ações de Educação Ambiental na escola; Investigar, a partir dos pressupostos da Teoria da Atividade, as relações que se estabelecem no Lugar da pesquisa, tendo como propósito a Educação Ambiental. Como base da pesquisa, adotou-se os teóricos que compõem as três gerações da Teoria da Atividade: Vygotsky (1978), Leontiev e Luria (1981) e Engeström (1987); o pensamento de Loureiro (2003), Dias (2004) e Pedrini (2008), como referencial para a Educação Ambiental; e Frémont (1980), Carlos (1996), Santos (2006), Damiani (2007), para a análise do Lugar. A abordagem adotada para pesquisa foi a investigação qualitativa (BOGDAN e BIKLEN, 1994). Optou-se por ter como Lugar da pesquisa, uma escola pública no município de Curitiba, no estado do Paraná, onde realizou-se observações diretas e entrevistas gravadas envolvendo: um diretor, um pedagogo, doze professores, um secretário, uma merendeira, um inspetor de alunos, um auxiliar de serviços gerais; cento e cinquenta e cinco alunos e sessenta e nove pais ou responsáveis. Constatou-se que ao pensar o lugar, os entrevistados o abordaram a partir dos significados e associações que atribuem a ele. A análise dos dados evidenciou a contribuição da Ciência Geográfica para a Educação Ambiental, uma vez que o espaço geográfico tem como uma das suas categorias de análise o lugar. Nesse sentido, ao abordar o Lugar a partir dos pressupostos da Teoria da Atividade, especialmente no que se refere às práticas de Educação Ambiental, possibilita-se uma análise em uma perspectiva que integra seus aspectos individuais e coletivos e possibilita ainda a integração dos aspectos naturais e humanos no contexto da Geografia.