Título
Educação para a sustentabilidade e sistema de gestão integrado: um estudo junto ao Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, Parnamirim - RN
Esta pesquisa tem como objetivo principal analisar os vínculos existentes entre a Educação para a Sustentabilidade - EpS e o Sistema de Gestão Integrado - SGI em uma organização militar. Para o alcance do objetivo principal, foram estabelecidos quatro objetivos específicos: (a) caracterizar o SGI e a sua contribuição na EpS; (b) verificar as expectativas dos gestores em relação à utilização do SGI; (c) constatar se, decorrente da implantação do SGI, ocorrem reflexões e mudanças de atitudes referentes a questões ambientais tanto no contexto profissional quanto no pessoal dos trabalhadores; e (d) identificar os vínculos entre o SGI e a EpS na instituição estudada. Após análises literárias nas áreas organizacionais e educacionais, a pesquisa, de cunho qualitativo, desenvolveu-se por meio de um estudo de caso aplicado ao Centro de Lançamento da Barreira do Inferno - CLBI, por ser a primeira organização da Aeronáutica a implementar o Sistema de Gestão Integrado. A pesquisa foi desenvolvida com os servidores civis e militares do CLBI, sendo 4 entrevistados, na perspectiva da gestão, e 21 entrevistados, como colaboradores, no período de junho a agosto de 2016. A exploração dos dados guiou-se pela análise compreensiva-interpretativa proposta por Silva (2005). Os resultados revelam 9 vínculos estabelecidos entre o Sistema de Gestão Integrado e a Educação para a Sustentabilidade. Os elos encontrados são: (a) legal, a legislação ampara o sistema, em especial, na área de cumprimento das normas ambientais, que contemplam os deveres de conscientização dos trabalhadores e sensibilização para a temática; (b) instrumental, a EpS é um instrumento de gestão para o alcance das metas ambientais e de saúde e segurança ocupacional, pois quando os trabalhadores detêm uma percepção crítica sobre esses instrumentos de proteção social, o trabalho torna-se mais seguro; (c) cultural, em estruturas rígidas e hierarquizadas, o impacto no processo de implantação de sistemas de gestão é maior, sendo necessário um reforço nas áreas de capacitação e treinamento, para alcançar as mudanças culturais desejadas; (d) científico, a conexão da ciência com a gestão ainda é vista como um desafio, pois não há incentivo governamental ao estreitamento dos laços. Todavia, esse estudo mostra que o envolvimento da comunidade científica na execução de um processo de gestão pode gerar bons resultados; (e) interação social, os órgãos precisam envidar esforços para utilizar todo o potencial humano e financeiro em benefício da própria comunidade, não se fechando em suas atividades internas, e sim buscando cumprir a sua função social; (f) formação humana, as organizações são responsáveis pela formação profissional de seus integrantes, devendo desenvolver competências que dizem respeito ao meio ambiente e suas implicações, além das competências das suas funções; (g) financeiro, o aporte monetário recebido pelo governo federal não contempla especificamente as áreas do SGI, por isso, os gestores precisam encontrar soluções alternativas para fazer adequações, em especial, no processo educativo; (h) preventivo, o trabalho preventivo busca soluções antecipadas para evitar os danos em potencial das atividades. O incentivo à prevenção cria colaboradores mais conscientes acerca dos riscos envolvidos em suas atividades rotineiras; (i) impacto pessoal, o trabalho do SGI aliado à EpS criou uma sensibilização pessoal e profissional nos envolvidos, fazendo-os compreender que a área do CLBI é da sociedade, devendo ser preservada por cada um deles, enquanto agentes públicos em exercício e cidadãos. Depreende-se, a partir deste estudo, que, quando há aplicação de um instrumento de gestão voltado à sustentabilidade, é possível identificar impacto pessoal e profissional na vida dos colaboradores, além de outros impactos e de ganhos para a comunidade local.