Título
Educação Ambiental em parques urbanos da cidade de Goiânia/GO
A crise ambiental instaurada demanda esforços para uma mudança da relação que humanidade estabelece com a natureza. A Educação Ambiental, em sua dimensão Crítica, é capaz de formar sujeitos cidadãos com consciência planetária para intervir nas questões socioambientais. Nesse sentido, as práticas educativas não formais em parques, por exemplo, revelam um grande potencial para fomentar a prática cidadã já que acessa a diversos públicos independente da idade ou da classe social. Na cidade de Goiânia/GO a questão ambiental é massivamente abordada tanto nos discursos dos governantes, quanto nas políticas que regulamentam as ações do poder público. Esse município apresenta grande potencial para o desenvolvimento do processo de Educação Ambiental em Unidades de Conservação, visto que o número de áreas de interesse conservacionista é alto, conforme aponta a gestão municipal. Por esse ângulo, essa pesquisa objetivou analisar a Educação Ambiental em Unidades de Conservação de Goiânia, avaliando o discurso ambiental da administração pública e suas políticas na concretude em ações de Educação Ambiental nos parques, analisando os aspectos das concepções e percepções dos sujeitos vinculados aos parques que interferem no processo de Educação Ambiental e, por fim, identificando a corrente norteadora dessa Educação Ambiental não formal em um contexto não escolar. Pautando-se em uma análise, sobretudo qualitativa, foram adotados o questionário e a entrevista como instrumentos de coleta de dados, sendo aplicados a gestores e a comunidade ligada a sete parques de diferentes regiões da capital goianiense, além da análise das legislações e discursos da gestão pública municipal. Embora as políticas do município apresentem fundamentos de uma Educação Ambiental Crítica comprometida com a mudança social, as concepções da comunidade frequentadora e dos gestores dos parques se mostraram ajustados às ideias difundidas pelo poder público de uma educação voltada para a sensibilização e mudança de comportamento individual, para vencer os problemas ambientais. Ademais, as práticas educativas desenvolvidas nas unidades não atendem ao público visitante como um todo e são reduzidas conforme a distância do parque em relação à região central da capital, revelando uma segregação espacial e social e uma incoerência na imagem homogênea dos governantes. Nessa perspectiva, a Educação Ambiental nos parques urbanos de Goiânia está fundamentalmente apoiada na corrente Conservadora, carecendo de uma estruturação abrangente a toda capital e necessitando da consolidação das políticas públicas existentes.