Título

Educação Ambiental e Educação Física escolar: uma proposta de formação de professores a partir de vivências com a natureza

Programa Pós-graduação
Ambiente e Desenvolvimento
Nome do(a) autor(a)
Derli Juliano Neuenfeldt
Nome do(a) orientador(a)
Jane Márcia Mazzarino
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2016
Dependência Administrativa
Privada
Resumo

Este estudo investiga contribuições de vivências com a natureza na formação de acadêmicos e professores de Educação Física no sentido de articular a atuação à Educação Ambiental no contexto escolar. Problematizam-se as razões que têm dificultado a Educação Física escolar a desenvolver o tema transversal meio ambiente. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa. Quanto aos fins, é descritiva e aplicada e, quanto aos meios, bibliográfica, documental e de campo. O estudo também apresenta características da pesquisa-ação-participativa, que são: escuta dos interesses dos participantes; planejamento coletivo e intervenção na formação pessoal e profissional dos envolvidos. Participaram da pesquisa 28 integrantes do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência do Centro Universitário UNIVATES/RS/BRA, pertencentes a dois subprojetos da Educação Física, Licenciatura, caracterizados da seguinte forma: dois professores universitários, três professores de rede pública de ensino da Educação Básica e 23 acadêmicos. No estudo de campo, na produção de dados, fez-se uso de: entrevistas semiestruturadas, questionários, diário de campo, registros fotográficos e memoriais descritivos. Ministraram-se oito vivências com a natureza, orientadas pelo método Aprendizado Sequencial (CORNELL, 2008a; 2008b), bem como, pela proposta formativa elaborada pelo pesquisador, norteada por três dimensões pedagógicas: alteridade, ludicidade e sensibilidade. Na continuidade, os participantes planejaram e ministraram atividades relacionadas ao tema meio ambiente entre si, efetivando assim mais três vivências. Em relação aos dados, realizou-se a análise textual qualitativa proposta por Moraes (2007), a partir de três categorias estabelecidas a priori, alteridade, ludicidade e sensibilidade, além de uma emergente, a experiência docente. Analisando a formação inicial dos professores universitários e da rede pública, percebe-se que temas relacionados à Educação Ambiental não estão presentes ou são contemplados superficialmente nas aulas, como, também, não despertam o interesse dos professores. Na formação inicial dos acadêmicos, a Educação Ambiental é contemplada no currículo em algumas disciplinas das áreas das ciências humanas e didático-pedagógicas. A partir de vivências com a natureza, a dimensão da alteridade auxiliou os participantes a reconhecerem o Outro como legítimo Outro, a se compreenderem como parte da natureza e a olharem com mais atenção para o mundo ao seu redor. A dimensão da ludicidade destacou a relevância de o professor perceber-se como um ?ser brincante?, o que rompe com o 4 uso da ludicidade na formação inicial apenas como recurso didático-pedagógico. A dimensão da sensibilidade, a partir da exploração dos sentidos corporais, auxiliou os participantes a construírem as próprias opiniões sobre o mundo que os cerca. Essas dimensões foram identificadas nos planejamentos de aulas, o que consolida a experiência docente como mais uma dimensão necessária para a formação docente. Na experiência docente, constata-se que os participantes são autores do seu fazer pedagógico, utilizam saberes construídos a partir da pesquisa, como também os articulam com outros, acrescentando competitividade em algumas atividades. Conclui-se que as vivências com a natureza contribuem na compreensão da natureza, não apenas como espaço, mas, também, como parceira. O corpo revela-se como lugar possível de aprendizagens e de sensibilização do professor em relação à importância de trabalhar o tema meio ambiente na escola, elo entre a Educação Física e a Educação Ambiental.


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