Título
Educação Ambiental e direitos humanos na formação inicial de professores de Ciências e Biologia
São muitos os desafios que se colocam para a educação em Direitos humanos e para educação ambiental na sociedade atual, e a formação de professores é campo estratégico de reflexão. Para pensar estas temáticas no currículo de Ciências e Biologia, buscou-se estabelecer as afinidades teórico metodológicas entre a vertente crítica da educação ambiental e o discurso contra hegemônico dos DDHH, a partir de categorias da justiça ambiental, utilizando referenciais da educação popular de Paulo Freire, da ecologia de saberes de Boaventura de Sousa Santos e do ecologismo dos pobres de Martínez Alier. O presente trabalho tem como objetivo caracterizar como as Licenciaturas em Ciências Biológicas das Universidades públicas da Cidade do Rio de Janeiro (UNIRIO, UERJ e UFRJ) têm abordado as temáticas da Educação ambiental e dos Direitos Humanos. Para tal, optou-se pela triangulação de dados composta pela análise dos Projetos Políticos Pedagógicos dos Cursos, entrevistas com professores e coordenadores e questionário com alunos concluintes. Buscou-se desta maneira caracterizar as concepções que informam os documentos institucionais e os objetivos dos cursos em relação às temáticas, o entendimento dos professores e coordenadores sobre a EA e DDHH, identificando aspectos conservadores e hegemônicos e/ou aspectos críticos e contra hegemônicos em seus discursos. O questionário com alunos concluintes compôs a análise sobre como estes alunos veem sua formação e quais suas expectativas de futura atuação docente sobre estas temáticas. O estudo indicou uma ampliação nos objetivos da formação de professores de Ciências e Biologia, incorporando a formação humana e social. Neste sentido, a EA é mais amplamente inserida na formação inicial, sobretudo com um enfoque conservacionista, enquanto os DDHH são tratados apenas como pano de fundo, sobretudo para o tratamento de aspectos relacionais, referentes ao respeito e não discriminação. A inserção das temáticas acontece de acordo com entendimento pessoal dos professores, não havendo uma reflexão coletiva e institucional sobre os propósitos desta dimensão da formação, embora professores e coordenadores sejam unânimes em reconhecer a relevância desta inserção. São potencialidades dos cursos a inserção de alunos de diversos grupos sociais, a vivência e demandas trazidas pelas escolas nos estágios e atividades extracurriculares.