Título
A prática docente em educação ambiental na educação básica: 'Estado da questão' na produção discente de programas de pós-graduação em Educação de Minas Gerais (2002-2012)
As questões ambientais, devido a sua urgência, ganharam crescente destaque nas últimas décadas. Grandes conferências internacionais foram realizadas, tratados firmados e diretrizes estabelecidas visando minimizar, ou mesmo solucionar, a crise socioambiental. Neste contexto, a Educação Ambiental (EA) ganhou destaque como uma alternativa para o desenvolvimento de mecanismos educativos capazes de propiciar a reflexão e a crítica sobre a relação dos seres humanos com a natureza desencadeando, assim, a mobilização social e a ação para a resolução de problemas locais. No Brasil, a Educação Ambiental foi inserida nas escolas através dos PCN, que incluíram o tema 'meio ambiente' no currículo de modo transversal e interdisciplinar. Muitas têm sido as dúvidas e críticas sobre a forma como a Educação Ambiental vem sendo trabalhada nas escolas. Neste sentido, um número significativo de produções discentes, dissertações e teses, realizadas em programas de pós-graduação diversos, em todo o país, têm estudado os mais variados aspectos da temática ambiental, dentre estes, como a EA tem sido abordada nas escolas. Pesquisas tipo 'estado da arte' tem sido realizadas com o intuito de mapear e divulgar tais produções. No entanto, localizamos uma lacuna no que se refere ao mapeamento da produção discente sobre a EA em programas de pós-graduação em Educação no estado de Minas Gerais. Visando, mais que preencher lacunas, nos dedicamos ao enfoque de um aspecto específico, as experiências educativas. Deste modo, a presente pesquisa caracterizada como 'estado da questão' tem por objetivo oferecer um panorama das práticas de Educação Ambiental em escolas de Educação Básica de acordo com a visão apresentada na produção discente de programas de Pós-Graduação em Educação em Minas Gerais, por meio da análise de dissertações e teses defendidas nestes programas no período de 2002 a 2012. Para tal, como referencial teórico adotamos autores consagrados na área da EA e como procedimentos metodológicos, o levantamento bibliográfico, a análise documental e a Análise Textual Discursiva-ATD, utilizando como suporte os estudos de Bardin. Verificamos, através da análise das 14 dissertações selecionadas, que 72% de nossos pesquisadores, 'sujeitos ecológicos', apresentam uma concepção crítica de EA. Nas escolas analisadas, as práticas pedagógicas de EA vêm sendo desenvolvidas principalmente sob duas perspectivas: 56% apresentam perfil de atividades fim (desarticuladas e descontextualizadas) e 22% podem ser caracterizadas como temas geradores (dialógicas, críticas, voltadas para a ação). Entretanto, algumas experiências, também 22%, apontam para uma mescla, dentro do mesmo projeto, destas abordagens. Sobra boa vontade para os professores, falta formação inicial e continuada para trabalhar com a EA. Finalizando, para a melhoria da abordagem da EA nas escolas, os pesquisadores apontam, além da participação da comunidade, o estabelecimento de parcerias, principalmente com as universidades, melhoria na qualificação dos professores e gestão democrática. Singularidades observadas nas iniciativas que alcançaram êxito no desenvolvimento da EA em uma perspectiva crítica, voltada para a transformação socioambiental.