Título

A Educação Ambiental Crítica e o saber de experiência feito na educação de pessoas jovens e adultas: um diálogo para a transformação

Programa Pós-graduação
Ciências Ambientais
Nome do(a) autor(a)
Flávia Fina Franco
Nome do(a) orientador(a)
Amadeus Jose Montagnini Logarezzi
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2016
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Nesta pesquisa buscamos investigar uma sala de aula da educação de pessoas jovens e adultas, objetivando conhecer possibilidades da proposta de articulação entre a educação ambiental e essa modalidade de ensino, tendo como referência dois conceitos chaves: criticidade e saber de experiência feito. Estudos sugerem que a inserção da temática socioambiental na educação de pessoas jovens e adultas pode contribuir tanto para a superação da visão compensatória e reducionista que tem marcado essa modalidade quanto para fomentar questionamentos e reflexões dessas pessoas sobre seus papéis nas relações interpessoais, com o mundo e no mundo, para que reconheçam e assumam seus potenciais de intervir na realidade. Adotamos como referência uma educação ambiental crítica, dialógica, libertadora e impulsionadora de reflexões por meio da problematização de questões socioambientais. Optamos pela educação de pessoas jovens e adultas por ser uma modalidade escolar que, assim como seus sujeitos, tem sido historicamente marginalizada e marcada por relações injustas e opressoras e por acreditamos nas potencialidades desses sujeitos, reconhecendo suas experiências e seus saberes acumulados ao longo de suas vidas, que Freire chamou de saberes de experiência feitos. Assim, as questões que guiam essa pesquisa são: o saber de experiência feito que tem sido considerado e desenvolvido também na modalidade da educação de pessoas jovens e adultas pode contribuir para a prática de educação ambiental? A criticidade que tem sido desenvolvida no campo da educação ambiental pode contribuir para a prática da educação de pessoas jovens e adultas no contexto escolar? Para a construção deste trabalho desenvolvemos uma investigação empírica, que foi realizada em uma escola municipal do interior paulista, em que foram envolvidas/os estudantes da educação de pessoas jovens e adultas e educadoras/es dessa modalidade e com experiência no campo da educação ambiental. Paulo Freire (2005), com a teoria da dialogicidade, e Jürgen Habermas (2012a; 2012b), com a teoria da ação comunicativa, foram autores que nos guiaram para a escolha da metodologia comunicativo-crítica, que tem como fundamento a construção de conhecimento a partir do estabelecimento de diálogos intersubjetivos entre os sujeitos e, a partir dessa construção possibilitar que atuem na realidade, transformado-a. Com essa metodologia, o diálogo rompe com os desníveis interpretativo e epistemológico normalmente considerados e praticados entre as pessoas do contexto investigado e as pessoas acadêmicas. Utilizamos a observação comunicativa e a entrevista como instrumentos de coleta de dados. Em parceria com as/os estudantes e seu professor, os dados das observações foram analisados considerando as dimensões obstaculizadora e transformadora, próprias da metodologia, em relação à aproximação entre educação ambiental e educação de pessoas jovens e adultas. Já as informações obtidas por meio das entrevistas foram discutidas em conjunto com uma professora e um professor, diante da categorização dual da realidade social em sistema e mundo da vida, com base em Habermas. Com os dados analisados, encontramos no contexto investigado elementos como práticas educativas e posturas docentes coerentes com a realidade das/os estudantes, que potencializam a inserção da temática ambiental sob uma perspectiva crítica na educação de pessoas jovens e adultas. Por outro lado, foram também identificados elementos como práticas e posturas docentes associadas a um modelo de educação de pessoas jovens e adultas compensatório, o que dificulta a referida inserção, que se faz necessária para uma educação comprometida com uma transformação social que conduza a relações socialmente mais justas e ambientalmente mais sustentáveis. Por fim, verificamos a adequação de uma educação ambiental crítica de pessoas jovens e adultas como um espaço potente de aprendizagens e transformações, um espaço para que possam exercitar a capacidade crítica em direção à sua emancipação e assim se reconhecerem como sujeitos históricos participantes das mudanças socioambientais.


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Contexto Educacional