Título
Elaboração de um espaço educador na Fundação Parque Zoológico de São Paulo para a conservação do mico-leãopreto (Leontopithecus chrysopygus) em uma perspectiva de educação ambiental crítica
A conservação da fauna silvestre vem se destacando no cenário mundial como uma das maiores problemáticas da atualidade. Diversas instituições estão se mobilizando para elaborar estratégias e ações eficazes para evitar a extinção de espécies ameaçadas. Dentre essas instituições, observamos a atuação dos zoológicos no desenvolvimento de pesquisas científicas, na participação em programas de conservação de espécies ameaçadas, na elaboração de ações educativas e na promoção do lazer e entretenimento do público visitante, compilando as suas quatro principais missões. Nesse contexto, a Fundação Parque Zoológico de São Paulo (FPZSP), além de realizar uma série de ações educativas com o público visitante, também participa e integra programas de conservação de espécies ameaçadas, como o Programa Estadual de Conservação do Mico-leãopreto (<i>Leontopithecus chrysopygus</i>), desenvolvendo pesquisas sobre a biologia e a ecologia de algumas populações da Floresta Nacional de Capão Bonito (SP). Sendo assim, o objetivo da presente pesquisa foi desenvolver um processo educativo participativo para a elaboração e implementação de um espaço educador na FPZSP, visando à conservação do mico-leão-preto. A pesquisa foi desenvolvida em uma abordagem qualitativa, com base nos pressupostos da educação ambiental crítica, especificamente da pesquisa-ação-participante, uma vez que teve a intenção de produzir conhecimento (âmbito da pesquisa) para planejar e implementar um espaço educador (âmbito da ação) a partir do envolvimento e participação de 23 profissionais e 65 visitantes da FPZSP (âmbito da participação). Nesse sentido, a investigação apresentou um caráter processual e foi desenvolvida em quatro momentos: momento I: diagnóstico participativo sobre conhecimentos e saberes em relação à espécie a partir da realização de entrevistas individuais com os profissionais e visitantes da FPZSP; Momento II: realização de dois grupos focais com a equipe da Divisão de Educação e Difusão (DED) e Equipe Técnica (ET) para elaboração participativa da proposta educativa do espaço; momento III: atuação e diálogo entre a DED, ET, Divisão de Engenharia e Diretoria Administrativa para a implementação do espaço educador; Momento IV: análise reflexiva do processo de elaboração e implementação a partir de grupos focais com a equipe da DED e ET e criação participativa de materiais educativos sobre o espaço educador. A partir dos dados obtidos no Momento I foi possível estabelecer categorias relacionadas às estruturas e às ações educativas que seriam implementadas no espaço educador, as quais emergiram do processo dialógico estabelecido entre os participantes e a mestranda. Com base nessas categorias, elaboramos no Momento II uma proposta educativa contendo as características estruturais e educativas do novo espaço, o qual foi constituído por quatro quiosques temáticos, 23 painéis, dois jogos educativos e uma peça teatral de fantoches sobre a espécie. No Momento III da pesquisa, observamos o fortalecimento da participação da equipe técnica da FPZSP em diversas etapas do processo de implementação, desde a elaboração da comunicação visual e textual dos elementos educativos, até os processos operacionais de construção de estruturas. Além disso, a partir desse fortalecimento, a própria equipe participante sugeriu e elaborou, de forma participativa, dois materiais educativos sobre o espaço educador destinados à educadoras/es ambientais. Por fim, observamos durante o Momento IV que o uso de metodologias participativas contribuiu para enriquecer e fortalecer o processo de elaboração do espaço educador, uma vez que os participantes passaram a ser considerados como sujeitos que partilham laços para interpretar a realidade, de forma que esse diálogo está vinculado à ação coletiva para transformação da problemática socioambiental em questão, qual seja, a conservação do mico-leão-preto. Esperamos que a investigação contribua para o campo da pesquisa em educação ambiental em zoológicos e para as estratégias de conservação do mico-leão-preto, ao ressaltar que é possível realizar uma prática participativa, reflexiva, cooperativa e libertadora.