Título

Educação ambiental e sensibilização para conservação dos recursos naturais em um assentamento agrícola em Lucena-PB

Programa Pós-graduação
Desenvolvimento e Meio Ambiente -PRODEMA
Nome do(a) autor(a)
Educardo Beltrão de Lucena Córdula
Nome do(a) orientador(a)
Francisco José Pegado Abílio
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2015
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

A Educação Ambiental não formal visa a sensibilização de comunidades quanto aos problemas ambientais, buscando o restabelecimento das relações harmoniosas entre o ser humano e o ambiente. Dentre os grupos sociais, estão as comunidades agrícolas, que, em áreas de Assentamentos Rurais, promovem a produção de alimentos com base na agricultura familiar. No entanto, muitas destas comunidades utilizam no manejo de suas lavouras, substâncias químicas para adubação do solo e controle de pragas. Estas práticas visam o aumento na produção de alimentos em menor espaço de tempo. Porém, essas substâncias podem se acumular no ambiente e no corpo dos próprios agricultores, trazendo prejuízos não só ambientais, mas também, para qualidade de vida destas populações. Como alternativa a esse modelo, a produção agroecológica de alimentos visa a manutenção da produtividade nas áreas agrícolas, com manejos à base de produtos naturais, ganhos na qualidade de vida dos agricultores e suas famílias, unindo conservação dos recursos naturais locais, valorização econômica e dos produtos cultivados. O presente estudo foi desenvolvido com o objetivo de analisar o modo, o manejo da produção agrícola predominante em um assentamento rural e o tipo de conservação/utilização dos recursos naturais locais. O assentamento Oiteiro de Miranda, está localizado no município de Lucena, Paraíba, possuindo uma área total de 668 hectares(ha), com 82 lotes para 82 famílias. Na área há presença de aproximadamente 94,7ha de áreas de Reserva Legal de Mata Atlântica, distribuídas em 16 fragmentos. A pesquisa teve caráter qualitativo, com método etnográfico, utilização de técnicas de observação não participante e entrevistas com roteiro semiestruturado, com análise qualitativa, descritiva e de conteúdo dos dados obtidos. A partir dos resultados, foram planejadas e executadas ações de sensibilização para 50% dos agricultores e seus familiares residentes no assentamento, com intuito de torná-los agentes multiplicadores. Para estas ações, foram realizadas 13 oficinas ecopedagógicas para o público infanto-juvenil e 04 palestras dialógicas para os adultos. Os resultados mostraram que o modelo de manejo predominante é o tradicional, com utilização de substâncias químicas na lavoura e resistência para adoção de novos modelos de produção agroecológica, o que é ratificado pela falta de conhecimento sobre este tipo de manejo. Foi verificado que parte da população afirmou visitar e utilizar os recursos naturais locais, inclusive nas áreas de Reserva Legal. Socialmente, foi observado a desunião entre os assentados. A falta de uma maior divulgação do projeto e das ações desenvolvidas no assentamento, além do desinteresse individual, dificultaram os processos de informação, sensibilização e multiplicação de novos saberes entre os assentados. O presente estudo mostrou que os agricultores precisam de uma liderança que consiga uni-los, incentivá-los e encorajá-los para que se engajem em novas mudanças rumo a um modelo agroecológico de produção agrícola, para que rompam o paradigma de resistência e tomada de novas práticas de produção de alimentos. Estas mudanças levariam a conservação dos recursos naturais locais e a convivência harmoniosa com o ambiente, melhorias na qualidade dos produtos alimentares produzidos no assentamento e, consequentemente, aumento da qualidade de vida socioambiental local.


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