Título
Educação ambiental e monocultura canavieira: desvendando a compreensão sobre a interação do ser humano com o meio ambiente em alunos da educação de jovens e adultos
O presente trabalho apresenta, como eixo central de estudo e investigação, as relações que permeiam a Educação Ambiental e a monocultura da cana-de-açúcar, destacando-se nessa relação os trabalhadores rurais ligados ao corte de cana. Isso porque, a produção canavieira tem demonstrado uma herança histórica de intensificação e exploração, tanto no que se refere à mão de obra humana quanto no uso dos recursos ambientais. Desse modo, traçamos o objetivo de identificar e analisar a compreensão dos cortadores de cana-de-açúcar inseridos na Educação de Jovens e Adultos, acerca da interação do ser humano com o meio ambiente, bem como se, no entendimento desses sujeitos, a escola tem contribuído para ampliar essa compreensão socioambiental. A escolha por investigar os sujeitos inseridos na educação escolar justifica-se por ser esta uma via fundamental na busca por novos horizontes de vida e na construção de valores associados às interações do ser humano com o meio ambiente. Assim, no intuito de atingir o objetivo traçado, tomamos a abordagem qualitativa como fundamentadora de nossa pesquisa. Tecemos ainda uma relação dialógica com os sujeitos investigados, para que pudessem narrar suas experiências e saberes. Recorremos ao uso da história oral, como fonte metodológica na busca por sustentação no ouvir, compreender e interpretar as narrativas dos trabalhadores. Os dados coletados junto a nove trabalhadores articulam-se ao quadro teórico conceitual elaborado. Contamos, para tanto, com os aportes inseridos na perspectiva freireana, por entendermos que esta é capaz de auxiliar na compreensão das relações entre opressores e oprimidos, frente a uma perspectiva dialógica e libertadora. Os resultados indicam que os cortadores de cana chegam a denunciar, implícita e explicitamente, a realidade socioambiental na qual se inserem, apresentando, para isso, tanto a degradação dos recursos naturais, causada pela implantação da monocultura, quanto às agressões humanas sentidas na pele pelo trabalho por eles realizado. No entanto, apesar de considerarem a educação escolar como fundamental para a ampliação do entendimento socioambiental, as compreensões dos trabalhadores sobre a interação do ser humano com o meio ambiente parecem não sofrer impacto algum no sentido de torná-las mais amplas e críticas. Isso porque, somado às fortes influências propagadas pelas políticas ambientais das usinas onde atuam, a escola parece também oferecer uma abordagem restrita a práticas individuais e comportamentalistas, por reproduzir as vertentes pragmáticas e conservadoras.