Título
Currículos festeiros de águas e outonos: fenomenologia da educação ambiental pós-crítica
Nomeamos o trabalho de 'Currículos Festeiros de Águas e Outonos', pois os palcos investigativos foram os contextos das festas tradicionais das comunidades banhadas pelas águas do Pantanal mato-grossense do Brasil e das festas da colheita de arroz celebradas no outono na Ilha de Noto no Japão. A 'Fenomenologia da Educação Ambiental Pós-Crítica' revela nossa identidade político-metodológica. Diante da crise socioambiental, inúmeros esforços em âmbito internacional, nacional e local são realizados em busca de sustentabilidades e justiças ambientais. No contexto global, estendemos os nossos olhares em nível planetário, dialogando com a Avaliação Ecossistêmica do Milênio da Organização das Nações Unidas, e também com as diretrizes culturais da Convenção RAMSAR de áreas úmidas. Em âmbito local, focalizamos o pantanal de Mato Grosso, orientados pelo projeto do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas. Partimos da premissa de que uma das formas mais notáveis de celebração da vida e de expressão da identidade cultural das comunidades está na realização das festas tradicionais. Reconhecemos que a dinâmica global se imbrica nas emaranhadas reflexões locais, e, assim, a trajetória da pesquisa foi compreender a dimensão curricular das festas tradicionais trançadas com as próprias reflexões existenciais. Entre o EU individual e o NÓS coletivo fenomenológico, a tese foi desenhada com ousadia de se seguir os nexos da beleza da vida instaurada exatamente na complexidade, que não permite o esgotamento pela sua categorização ou análise, mas na aproximação de um determinado espaço e tempo para enamorarmos juntos, compreendendo o contexto e, coletivamente, construir saberes para um futuro mais justo. À luz da fenomenologia e da cartografia do imaginário, buscamos conhecer as relações e os saberes construídos nas festas tradicionais como forma de pensar, fazer e viver a educação ambiental fora do âmbito escolar, mas certamente no marco significativo de um currículo da vida. As festas são lócus e ocasiões privilegiados de cenários de vida e constituintes dos momentos de experiências e das construções de abordagens pós-críticas da educação ambiental. As festas tradicionais implicam amorosidade, crenças e identidades culturais legítimas e constituem currículos culturais coletivos capazes de corroborar as políticas públicas em educação ambiental que primam pela proteção ambiental e pelo bem-estar dos povos.