Título
Concepção político-pedagógica para formação de professores do Programa Agrinho: do campo à cidade
O objetivo deste trabalho é explicitar a concepção político-pedagógica do Programa Agrinho para a formação de professores, gestada pelo empresariado e ajustada ao processo educativo das escolas públicas do estado do Paraná. A problemática centra-se no discurso da 'responsabilidade social', que carrega em seu bojo o ideário da educação empresarial em ações pautadas nas 'parcerias público - privado', amparadas no discurso da educação ambiental. Indicamos que a Federação da Agricultura do Paraná (FAEP/PR) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (SENAR/PR), em parceria com o governo do estado do Paraná deste 1995, desenvolvem o Programa Agrinho junto as escolas públicas, utilizando-se das estratégias de distribuição de recursos materiais, econômicos e sociais. Implementa a formação de professores na concepção político pedagógica baseada nos PCN's, na interdisciplinaridade, nos temas transversais e na pedagogia da pesquisa. A metodologia adotada nesta pesquisa compreende análise documental e bibliográfica para evidenciar os aspectos históricos e as contradições através do método histórico crítico dialético. A análise dos documentos do Programa Agrinho nos remete a vislumbrar as categorias predominantes, das quais elegemos para este estudo: a formação humana, a empregabilidade, as habilidades e competências, o empreendedorismo, a sustentabilidade e a cidadania. As críticas levantadas procuram elucidar os determinantes sócio históricos da formação de professores que seguem o modelo formador neoliberal visando a adaptação do indivíduo às novas tecnologias e à flexibilidade do mundo globalizado. Na medida em que o Programa Agrinho adentra e interfere nas práticas e no currículo da escola pública, evidenciam-se as contradições que permeiam a relação público/privado.Demonstramos que o empresariado persegue seus objetivos no intuito de promover um projeto hegemônico de manutenção das estruturas exploratórias existentes. Ao contar com o consentimento do estado, da escola e dos educadores, estes se constituem agentes disseminadores, enfraquecendo assim a perspectiva de uma educação voltada para a formação humana, crítica e emancipatória.