Título
Cinema e Educação Ambiental Crítica: a utilização de audiovisuais em sala de aula
Diante do atual panorama da educação brasileira, buscamos neste trabalho contribuir para uma reflexão sobre certas ações na escola que, na grande parte das vezes, reproduz o discurso 'ecologicamente correto' de um modelo ideológico hegemônico, sendo este último o grande gerador de desigualdades sociais e o principal agente da degradação ambiental. Desta forma, elaboramos uma sequência didática que foi realizada com uma turma de ensino fundamental do município de Angra dos Reis (RJ) envolvendo: análise de recepção de alguns curtas metragens de cunho socioambiental; oficinas de produção audiovisual; produção de vídeos pelos próprios discentes, apontando sérios problemas de ordem ambiental da região onde vivem. A sequência didática, produto do mestrado profissional, busca contribuir para o protagonismo do estudante e para sua autonomia na busca de uma educação ambiental crítica que saia da teoria e passe à práxis pedagógica, estando disponível no site http://cooperaline.wix.com/cinemaeduambi. Como pilares teóricos mais significativos, nos apoiamos nos trabalhos de Enrique Leff e de Tim Ingold no que tange às conceituações necessárias a uma educação ambiental dita crítica, e de Rosália Duarte no que tange aos pressupostos relacionados ao cinema e à educação. Como resultado, consideramos o cinema com inestimável valor pedagógico, principalmente no que diz respeito a uma de suas maiores qualidades que é a alteridade, fornecendo elementos para que os alunos-espectadores tenham uma visão diferenciada de problemas de ordem socioambiental com uma perspectiva mais crítica da realidade. Na fase inicial, sobre meio ambiente, prevalecia entre os educandos uma visão conservadora, com ênfase na biologia, individualista, simplista, reducionista e descontextualizada, e o uso do cinema e a produção de vídeos trouxeram, de forma lúdica e criativa, o despertar de discussões em um caminhar pedagógico propício à reflexão, à criticidade.