Título

A experiência estética no cerrado para a formação de valores estéticos e éticos na Educação Ambiental

Programa Pós-graduação
Ecologia e Recursos Naturais
Nome do(a) autor(a)
Valeria Ghisloti Iared
Nome do(a) orientador(a)
Haydee Torres Oliveira
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2015
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Nossas concepções de mundo são pautadas em princípios, sentimentos, emoções que perpassam uma dimensão da vida humana que envolvem os valores éticos e estéticos. No entanto, a formação de valores representa uma dimensão menos explícita da educação ambiental, quando comparada à apropriação de conhecimentos. Da mesma maneira, estudos apontam que as questões estéticas têm potencial para serem mais exploradas na pesquisa e na prática em educação ambiental. Baseadas em uma perspectiva interpretativa, assumimos como experiência estética a possibilidade do nosso corpo engajado no mundo para perceber e (re)significar todas as formas de existência. Partindo do que foi colocado, o presente estudo objetiva compreender a natureza da experiência estética no Cerrado, devido ao seu histórico de ocupação e degradação. Nessa pesquisa, transitamos entre o paradigma moderno e pósmoderno a fim de buscar compreender, em profundidade, o significado da experiência estética. Essa transição é resultado da nossa trajetória de estudo que se propôs a conhecer abordagens e métodos que respondessem à questão de pesquisa. Portanto, nossa coleta de dados se deu por meio de duas técnicas: 17 entrevistas semi-estruturadas (compreendida em uma paradigma moderno, mas interpretadas junto com as/os participantes da pesquisa) e uma caminhada em movimento no Cerrado (situada como uma metodologia pós-moderna), na qual 08 participantes que já haviam sido entrevistados estavam presentes, sendo que desses 08, apenas 04 fizeram parte da coleta de dados. As/os participantes dessa pesquisa foram convidadas/os seguindo o critério de uma uma história de vida relacionada ao Cerrado, refletindo-se em um envolvimento amoroso com esse ambiente. Os resultados indicaram que a vivência informal e espontânea na natureza e momentos de conflito e diálogo foram significativos para o desenvolvimento de um vínculo afetivo e uma postura ética para com o Cerrado. A caminhada em movimento trouxe a perspectiva de analisar a experiência estética das/os participantes em movimento no Cerrado sendo que a pesquisadora também estava imersa na experiência. Ao invés de ser uma ação dialógica e verbal, esta atividade é corporal e o foco é a experiência multisensorial que envolve múltiplas dimensões da corporalidade e conexões com as materialidades do mundo mais do que humano. Nesse sentido, consideramos que a limitação dessa coleta de dados reside em não ?acessarmos as dimensões políticas e éticas das/os participantes da pesquisa, enquanto que, nas entrevistas houve essa possibilidade. Logo, percebemos que as coletas de dados se complementaram. Identificamos que as/os participantes dessa pesquisa tinham um posicionamento ético em relação ao Cerrado, o que consideramos sido construído a partir do diálogo entre as/os participantes e familiares, amigas/os, colegas de trabalho, leituras e estudos de texto. No entanto, essa relação não pode ser considerada a mesma em outros grupos, situações e contextos. Assim, novas questões de pesquisa que continuem a investigar a relação entre experiência estética e ética se fazem necessárias.


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