Título
A experiência estética no cerrado para a formação de valores estéticos e éticos na Educação Ambiental
Nossas concepções de mundo são pautadas em princípios, sentimentos, emoções que perpassam uma dimensão da vida humana que envolvem os valores éticos e estéticos. No entanto, a formação de valores representa uma dimensão menos explícita da educação ambiental, quando comparada à apropriação de conhecimentos. Da mesma maneira, estudos apontam que as questões estéticas têm potencial para serem mais exploradas na pesquisa e na prática em educação ambiental. Baseadas em uma perspectiva interpretativa, assumimos como experiência estética a possibilidade do nosso corpo engajado no mundo para perceber e (re)significar todas as formas de existência. Partindo do que foi colocado, o presente estudo objetiva compreender a natureza da experiência estética no Cerrado, devido ao seu histórico de ocupação e degradação. Nessa pesquisa, transitamos entre o paradigma moderno e pósmoderno a fim de buscar compreender, em profundidade, o significado da experiência estética. Essa transição é resultado da nossa trajetória de estudo que se propôs a conhecer abordagens e métodos que respondessem à questão de pesquisa. Portanto, nossa coleta de dados se deu por meio de duas técnicas: 17 entrevistas semi-estruturadas (compreendida em uma paradigma moderno, mas interpretadas junto com as/os participantes da pesquisa) e uma caminhada em movimento no Cerrado (situada como uma metodologia pós-moderna), na qual 08 participantes que já haviam sido entrevistados estavam presentes, sendo que desses 08, apenas 04 fizeram parte da coleta de dados. As/os participantes dessa pesquisa foram convidadas/os seguindo o critério de uma uma história de vida relacionada ao Cerrado, refletindo-se em um envolvimento amoroso com esse ambiente. Os resultados indicaram que a vivência informal e espontânea na natureza e momentos de conflito e diálogo foram significativos para o desenvolvimento de um vínculo afetivo e uma postura ética para com o Cerrado. A caminhada em movimento trouxe a perspectiva de analisar a experiência estética das/os participantes em movimento no Cerrado sendo que a pesquisadora também estava imersa na experiência. Ao invés de ser uma ação dialógica e verbal, esta atividade é corporal e o foco é a experiência multisensorial que envolve múltiplas dimensões da corporalidade e conexões com as materialidades do mundo mais do que humano. Nesse sentido, consideramos que a limitação dessa coleta de dados reside em não ?acessarmos as dimensões políticas e éticas das/os participantes da pesquisa, enquanto que, nas entrevistas houve essa possibilidade. Logo, percebemos que as coletas de dados se complementaram. Identificamos que as/os participantes dessa pesquisa tinham um posicionamento ético em relação ao Cerrado, o que consideramos sido construído a partir do diálogo entre as/os participantes e familiares, amigas/os, colegas de trabalho, leituras e estudos de texto. No entanto, essa relação não pode ser considerada a mesma em outros grupos, situações e contextos. Assim, novas questões de pesquisa que continuem a investigar a relação entre experiência estética e ética se fazem necessárias.