Título

Manejo Comunitário de Quelônios (Família Podocnemididae - Podocnemis expansa, P.unifilis, P.sextuberculata) no Médio Rio Amazonas e Juruá

Programa Pós-graduação
Ciências Biológicas
Nome do(a) autor(a)
Paulo Cesar Machado Andrade
Nome do(a) orientador(a)
Richard Carl Vogt
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2015
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

A utilização de quelônios do gênero Podocnemis na Amazônia reduziu seus estoques populacionais. Neste estudo foi analisada a série histórica dos dados de proteção de Podocnemis expansa, P.unifilis e P.sextuberculata em praias de postura protegidas pelo Governo e por comunidades no Amazonas. Entre 1974 e 2014 foram protegidos 153.798 ninhos e 14.522.286 filhotes de P.expansa, 117.287 ninhos e 2.299.454 filhotes de P.unifilis e 531.245 ninhos e 5.161.016 filhotes de P.sextuberculata. A proteção comunitária aumentou a partir de 1990 e atingiu 78% das áreas e produzindo 60% dos filhotes de P.unifilis e 44% dos de P.sextuberculata, permanecendo as áreas de maior produção de P.expansa sob proteção do Governo Federal (64%). Utilizando as séries temporais de produção de ninhos e filhotes em cada praia, foram estimadas curvas logísticas de crescimento, através das quais foram comparados os valores de r e K entre dois sistemas de proteção (Governo e comunitário). Praias controladas pelo Governo apresentaram maior capacidade suporte média (P<0,0001) para produção de ninhos (1910,7±1035) e filhotes (211513±93031) de P.expansa e de filhotes de P.sextuberculata (81160±34924) do que as das comunidades. As comunidades foram mais eficientes na proteção de ninhos (r=0,102±0,2315) e filhotes (r=0,282±0,166) de P.unfilis. Foram estimados modelos de curva logística de crescimento do número de ninhos/fêmeas produtivas para P.expansa, P.unifilis e P.sextuberculata nos dois sistemas de proteção. Em 1999, a Universidade Federal do Amazonas, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) e comunitários da região do Médio Amazonas criaram o programa de extensão ?Manejo Comunitário de Quelônios?, conhecido como ?Projeto Pé-de-pincha?, que vem ajudando a proteger tracajás, tartarugas (P.expansa), iaças (P.sextuberculata) e irapucas (P.erytrocephala) através da gestão participativa com as comunidades. O programa é desenvolvido em 118 comunidades de 15 municípios do Amazonas e do Pará, em área correspondente a 2,7% da Amazônia (cerca de 13 milhões de hectares, dos quais 70% fora de unidades de conservação). De 1999 a 2013, o programa devolveu à natureza 2.166.837 filhotes de quelônios (38,7% tracajás, Podocnemis unifilis; 42,9% tartarugas, P.expansa; 14,9% iaçás, P.sextuberculata; e 3,5% irapucas, P.erythrocephala). Cerca de 50,1% dos ninhos de tracajás foram transferidos de praias com areia de granulometria fina a média, com profundidade de 17,2±2,7 cm, largura de 12,2±2,1 cm e 22,3±4,7 ovos com peso de 24,5±2,8 g. Os ninhos transferidos do barro (49,9%) apresentaram profundidade de 13,2±2,1 cm e largura de 13,6±2,9 cm, com 23,3±5,4 ovos pesando 23,7±2,6 g. Os ninhos de iaçás apresentaram 15,7±1,4 ovos, com peso de 20,8± 5,6 g. Os ninhos de irapuca (P.erythrocephala) tiveram 7,9±0,9 ovos e os de tartaruga (P.expansa), 85,0±12,7 ovos. O tempo de incubação na areia foi : para tracajás = 57,9 ±2,7 dias; para pitiús = 59,2±3,3 dias; e para tartaruga = 57,7±5,7 dias. No barro, os ovos de tracajá tiveram um tempo de incubação de cerca de 63,9±2,3 dias. Para irapucas o tempo de incubação foi em torno de 65±2,6 dias. A taxa de eclosão de ninhos de tracajás na areia foi 85,6 ±18,2%, de iaçás 83,6±57,9%, de tartarugas 67,1±22,1% e de irapucas 86±26,1%. Os filhotes, ao nascerem, foram colocados em berçários, e soltos dois meses depois. Destes foram monitorados o crescimento e a sobrevivência de 23.191 filhotes marcados com microchips sendo que a taxa de sobrevivência aumentou de 5 para 18%.Foram monitorados 4.457 adultos e realizados estudos de migração com instalação de 21 rádiostransmissores via satélite. Entre 2010-2012, foram envolvidas diretamente 45.686 pessoas e, indiretamente, 403.584 pessoas. Foram capacitados 1.350 professores em educação ambiental e foram realizadas palestras nas escolas e comunidades para mais de 107.527 ouvintes e 220 gincanas ou atividades culturais com 8860 participantes. Também foram capacitados 219 agentes ambientais voluntários e 148 gestores ambientais. Foram realizados 94 cursos de alternativas para geração de renda e 27 oficinas para 9.320 pessoas.


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